sexta-feira, 16 de julho de 2010

Galo vermelho

Mais um galo.Este sem grande história. Comprei-o na feira de velharias de Braga, onde, já se percebeu,sou visita assídua. Gostei da cor vermelha e da pose altiva de verdadeiro rei da capoeira. Fez-me lembrar uma história que o meu pai nos contava quando éramos crianças e que era mais ou menos assim: A uma casa solarenga, em plena província, chega o fidalgo, vindo da capital. Grande azáfama e nervosismo. A criadagem corre perfilando-se junto à entrada principal. Na capoeira, os galináceos apercebem-se também da chegada do seu dono e senhor. O galo velho, o verdadeiro rei ( de carne dura e com poucas probabilidades de ir parar à panela) estica-se no seu poleiro e anuncia com voz possante segura: -Lá vem fidaaaalgo! O galo de meia idade,com algumas possibilidades de ser considerado "apto"para uma boa canja, receoso e inseguro pergunta a meia voz: - Ficará cá? Por fim,o jovem galo de carne tenra,e que, com quase toda a certeza seria escolhido para a canja do patrão, num fio de voz,e quase a desfalecer afirma: - Pobre de mim... Como criança tinha sempre pena do pobre franganito, por isso o meu pai compunha sempre a história, dizendo que no momento em que o frango ia ser apanhado pela cozinheira, descobriu um buraco na rede da capoeira, por onde se escapuliu, nunca mais tendo sido visto :))

1 comentário:

  1. Olá Maria Gabela

    Que delícia de estória...simplesmente adorei
    Contou-a de um jeito tão enternecedor que me catapultou na envolvente sentindo-me fazer parte dela
    Fascinante!
    Quanto ao galo é lindo
    Concordo consigo, a tonalidade vermelha confere-lhe uma altivez, uma notável personalidade de liderança
    Continue a deliciar-nos com estórias, tem um dom muito peculiar na escrita que encanta...e olhe que sou esquisita na leitura...mas que gosto, confesso que sim
    Beijos
    Isabel

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