quarta-feira, 30 de junho de 2010

Galo de Barcelos

Passados muitos anos ofereceram-me este galo também de Barcelos. Disseram-me que tem mais de cinquenta anos. Acredito. A diferença entre os dois é muito grande. Repare-se no requinte e pormenor da decoração deste último galo.

Galo

Vivi dez anos em Barcelos. Nasceram-me lá os três filhos que ali passaram parte das suas infâncias.Estou indiscutivelmente ligada àquela terra, apesar de não ter gostado de lá viver. A partir de determinada altura comecei a informar a família que quando me viesse embora, simbolicamente, a última coisa que faria, seria comprar um galo de Barcelos:). Diziam que sim, que fazia bem,que afinal todas a casas portuguesas tinham um etc, etc.No fundo, eu sabia que ninguém ligava nada ao que eu dizia....:) Ironia, coincidência, o facto é que, o meu último dia de Barcelos foi a uma quinta-feira, dia da feira semanal. Nesse dia,depois da casa fechada,meninos no banco de trás,pedi ao meu marido para passar pela feira e que logo que o trânsito o permitisse, parasse para eu fazer uma última compra.Algumas poucas, e compreensíveis reclamações(estávamos todos cansados) e lá fui eu, direitinha à tenda das loiças de barro. Escolhi um galo de tamanho médio o da foto. Quando cheguei ao carro e mostrei a última compra foi uma alegria e a algazarra total;o galo teve até direito aos beijinhos da criançada. Vive feliz,no alto de um dos armários da cozinha, juntamente com mais meia dúzia da sua espécie. Só sai em dias de limpeza geral :) e não reclama.

Galos

Inicio hoje a exposição da minha colecção de galos.Começou,como todas as outras; por qualquer motivo junto duas ou três peças do mesmo tema, começo a achar-lhes piada e quando dou por mim, já ando à procura de mais alguma que desperte a minha atenção. O galo da primeira fotografia foi também o primeiro da colecção. Comprei-o em S. Martinho do Porto, num verão mais ou menos distante e se a memória não me atraiçoa foi comprado para acalentar um dos meus filhos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Janela - Mealhada

Esta janela teve o condão de me remeter para as ilustrações dos livros infantis. Talvez pelo desenho ingénuo das cortinas, ou pelo contraste forte do azul, do amarelo e do castanho, ou ainda pelo encantador rendilhado do ferro, no remate inferior. O certo é que, perante esta janela senti-me como, quando em criança, me extasiava com as magnificas ilustrações dos meus livros de histórias. Eram livros com a capa dura e forrados em pano, num verde seco. Eram pouco ilustrados, de onde a onde havia um pequeno desenho a preto e nada mais. Mas, no início de cada história, havia uma página primorosamente decorada, recheada de pormenores. Hoje penso, que até seriam reproduções, de obras de pintores mais ou menos reconhecidos. Não sei se naquela altura, no nosso país, já se fariam ilustrações propositadamente para histórias infantis. Quando vou a alfarrabistas, ou navego por sites de leilões, espero sempre encontrar algum livro dessa colecção, mas até hoje ainda não encontrei nada. Maria Gabela

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Azuis

O post onde o Luís nos mostra o seu lindo prato de Sacavém, motivo Alcobaça, despoletou uma conversa sobre o gosto pelas loiças em tons de azul; vai daí, não perdi tempo!:) Enquanto a televisão debitava uma péssima programação, pus em pose alguns dos meus "azuis" para vos mostrar.É preferível uma agradável conversa sobre aquilo de que gostamos, a estar a dormitar no sofá. Ocorreu-me agora uma questão. Porque será que na obra do Picasso, em determinada altura, houve predominância da cor azul, dando origem à célebre fase azul? Porquê esta cor? Tenho lido várias explicações, mas penso que deverá haver alguma mais prosaica. Um abraço

sábado, 12 de junho de 2010

Alminhas

Gosto de fotografar estes pequenos monumentos religiosos. Acho-os lindos dentro da sua singeleza e singularidade.Ao mesmo tempo impressionam-me,as tragédias pessoais subjacentes a estas construções. Estas duas fotografias da mesma alminha têm mais ou menos um ano de diferença entre si e foram tiradas numa aldeia próximo de Cinfães. Tenho que começar a escrever o nome das pequenas terras por onde passo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pezinhos

Saleiro e pimenteiro da década de 70, de uma marca inglesa. Comprei-o num site de leilões e quando chegaram a casa surpreenderam-me pelo tamanho. Para saleiro e pimenteiro são enormes. Medem à volta de 13cm. Acho imensa piada aos sapatinhos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Azulejo familiar

O meu pai nascido e criado em Lisboa até aos vinte e poucos anos, pediu-me um dia que o ajudasse a tentar descobrir a casa dos seus avós paternos em Pombeiro, Felgueiras, onde em criança chegara a passar férias, nunca mais tendo lá voltado. Mal houve oportunidade lá fomos. Senti o meu pai emocionado…e como hoje o compreendo! Tinha como pontos de referência o nome da casa (Vila Etelvira), que esta se situava próximo do Mosteiro de Pombeiro, e as memórias que retinha através de uma velha fotografia da casa. Como seria de esperar, já nada estava como há setenta e muitos anos… Mas o certo é que encontrámos a casa, ou melhor, as suas ruínas, invadidas pela vegetação. Mas conseguimos entrar. O meu pai estava muito, muito comovido, apontando o que restava de cada compartimento, evocando situações e pessoas que lhe eram queridas. Numa das paredes do rés-do-chão, e caídos no chão, no meio do matagal, ainda se podiam ver alguns azulejos. Afastei as silvas, arranhei os braços, mas o facto é que trouxe três ou quatro dos que estavam no chão. Não sabia muito bem que destino lhes dar. Um dia, passados largos meses, a ideia surgiu! Integrar os azulejos que pudesse nas paredes da minha própria cozinha. Mas como? Emoldurá-los não, picar paredes nem pensar! Fi-lo de uma maneira muito artesanal. Depois de mais ou menos alisado (só se aproveitou um), colei-lhe por trás uma cartolina grossa, depois uma fita-cola de dupla face e finalmente colei-o, na parede. Gostei do resultado final, mas ainda gosto mais do olhar embevecido que o meu pai lhe deita e das conversas que nas tertúlias familiares este azulejo colado na minha cozinha provoca.