Embora Álvaro de Campos, pela pena de Fernando Pessoa afirme que só quem nunca escreveu cartas de amor é que é ridículo, nem pretendendo ser este post uma carta de amor, acho que escrever sobre o que se gosta, por vezes, pode tornar- nos ridículos. Por isso mesmo, em vez de escrever sobre o gosto que tenho pela dança enquanto espectáculo, e o quanto gosto de dançar, prefiro, para o fazer, apoiar-me numa alegoria musical, com duas músicas fantásticas, de dois autores e intérpretes que oiço desde há muito, muito tempo, e que foram estando presentes neste passar de vida.
Jacques Brel ! Não sei como o descobri, mas terá sido certamente com o célebre Ne me quitte pas. Quem da minha geração, não formou o seu gosto musical com a música francesa? A cultura francesa predominava. O francês era a primeira língua estrangeira que se aprendia, a moda e o cinema impunham-se ao público, as adolescentes imitavam a franja da Françoise Hardy e cantarolavam em surdina o Je t'aime... mois, n'on plus. Eles, creio que se esforçavam, por parecer o Alain Delon, ou Johnny Hollyday e sonhavam pilotar um Ferrari ou Porsche nas 24 horas de Les Mans :)