terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Miragaia ou Santo António de Vale da Piedade

Um feliz Natal e um novo Ano repleto de alegrias, é o que desejo a todos os meus queridos comentadores e seguidores. Para o postal escolhi uma peça sobejamente conhecida de todos nós e que eu há muito ambicionava ter. A oportunidade chegou há pouco tempo e nesse dia senti-me exultar! Fiz acompanhar o meu prato com uns anjinhos muito natalícios e ramos dos cedros do meu jardim. O estofo vermelho escuro da cadeira serviu para compor o cenário.
Quanto à decoração do prato, designada por País, já sabemos que foi usada pelas duas fábricas que refiro no título. A minha dúvida surgiu precisamente pela marca que podemos ver na foto abaixo. Tive sérias dificuldades em decifrar a primeira letra pois ali, eu via duas, um F antecedido de uma outra letra que eu também não conseguia perceber qual era. Andei a matutar no assunto até que um dia resolvi fazer uma pesquisa por imagens usando a frase "vários tipos caligrafia" e lá descobri que afinal,  não eram duas, mas sim uma letra, o F, escrito em caligrafia gótica. A partir daqui foi simples. As iniciais FLP, correspondem à designação Fábrica Loiças Porto. 


Mas, como neste mundo das faianças não marcadas nenhuma atribuição é fácil, surgem vários dados a complicar. É que tanto a fábrica de Miragaia no Porto, como a Fábrica do Vale de Santo António de Piedade em Gaia, usaram a designação "Fábrica de Louças" e, para complicar ainda  mais um bocado, a fábrica de Gaia marcava as suas peças localizando-as  no Porto. E sabendo nós que as duas fábricas estiveram ligadas entre 1824 e 1833, tudo fica ainda mais confuso. Mas, acredito, pela abrangência da marca,  que este prato possa pertencer precisamente a esse período de tempo em que as duas  fábricas estiveram sob a mesma direção. 

domingo, 30 de novembro de 2014

Jarro de água da Baccarat



Os vidros  são um assunto pouco abordado por este grupo de amantes de antiguidade e velharias que aqui se juntam na blogosfera, partilhando os seus achados. Apesar de eu só ter dedicado dois posts a este tema, não significa que goste menos destes objetos do que das porcelanas ou faianças. Então porquê este desequilíbrio? Creio que a principal causa é o meu desconhecimento sobre este assunto e portanto vou evitando a sua compra, não vá comprar gato por lebre. A segunda questão prende-se com o facto de as minhas compras serem feitas essencialmente pela internet e por este meio, só tenho  como referência a fotografia, o que para mim é pouco e  não basta para avaliar a peça.


Mas há uns largos  meses e talvez influenciada  por este blog, comprei este jarro de água . Bem, a marca também foi  determinante:) Afinal sempre é um Baccarat!  

A marca é mítica e sinónimo de luxo e glamour desde 1764. Comemoraram-se no mês passado, os seus duzentos e cinquenta anos de existência, com uma exposição retrospetiva no Petit Palais, em Paris, onde se exibem, até janeiro de 2015, cerca de duzentos e cinquenta das mais prestigiadas peças  Baccarat.

Este pesado jarro, a passar dos dois quilos apresenta a marca normalmente atribuída ao período entre 1930 e 1940, mas como em muitos outros casos, também aqui  as opiniões se dividem. Provado é  que a marca foi registada em 1860 em Paris, e que nesta data,  todas as peças eram marcadas com uma etiqueta em papel,  igual à que se vê na imagem abaixo. Em 1936, esta marca  em papel é substituída pela gravação do mesmo logótipo, na própria peça.


Imagem retirada da net
 Quanto ao resto, sabe-se que a Baccarat nasceu em consequência de uma grave  crise económica  provocada pelo encerramento das salinas (propriedade do bispado de Metz) existentes na região de Lorraine, o que levou o bispo  a desenvolver uma nova industria, na tentativa de minorar os efeitos daquele encerramento. A escolha do vidro prendeu-se com o facto de naquela região haver já uma manufactura  vidreira. Em outubro de 1764 Luís XV autoriza a criação da nova industria que se instalará em Baccarat. Esta opção está intimamente  relacionada com o conjunto das  matérias-primas  e outros recursos  existentes na região e indispensáveis à produção do vidro. Outro fator determinante foi o facto de Baccarat ser banhada pelo rio rio Meurthe, por onde era transportada por flutuação, a madeira necessária à alimentação dos fornos.  

Este jarro utilitário, apesar de aparentado na forma, com o célebre serviço Harcourt criado em 1841, não pertence à categoria dos objetos luxuosos que deram nome internacional à Maison Baccarat, nem tão pouco emite aquele som de corda de violino, tão caraterístico das finas peças de cristal. Mas o robusto restauro a que foi sujeito, confere-lhe uma graça especial. A enorme rachadela que vai da base até ao inicio da asa, está perfeitamente selada por estas tiras de uma liga que não consigo identificar e que alguém já sugeriu poder tratar-se de  prata, mas eu, não creio que seja. 

Consegui finalmente acabar este post! Com o meu pai já em casa, sabemos que o pior passou e finalmente, toda a família vai regressando às suas rotinas.
Fonte - Baccarat

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Um post em tons de rosa

A  pouco menos de uma semana para acabar este mês de outubro, associo-me ao"Arte, livros e velharias" e outros blogs, para marcar presença no Mês Internacional da Prevenção do Cancro da Mama, tema que diz respeito a homens e mulheres porque a todos nos atinge, física ou emocionalmente. 

Para este post juntei algumas chávenas de faiança inglesa decoradas com  lustrina cor-de-rosa.Todas elas apresentam uma decoração muito delicada, muito ao gosto da época e pegas com o formato London Shape. A servir-lhes de cenário, um bocado de talha dourada de que gosto bastante e  que ajudou a enquadrar as fotografia realçando a beleza e elegância destas peças.

A chávena que se segue é a única que apresenta marca e número de padrão. Para complicar a sua identificação, a marca é representada por uma minúscula âncora, símbolo muito utilizado por várias fábricas em diferentes épocas. Parece-me que aquele pequeno arco que forma a  parte inferior da âncora  poderá ter sido feito com as letras correspondentes ao nome da fábrica.


A última, mas não menos bonita, é uma pequena chávena sem pires, profusamente decorada no interior em contraste com a sóbria decoração do exterior. 

O chá ainda não está pronto:) mas convido-vos a irem provando a minha geleia de marmelo feita na véspera. O postal lá de trás enviou-mo a minha filha no dia dos meus anos. É tão ternurento que não resisti incluí-lo neste  post em Tons de Rosa.
 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Zé Povinho

Não tenho por hábito associar os meus posts a datas comemorativas, mas neste mês da implantação da República Portuguesa, seria tolice não mostrar esta travessa que comprei há já largos meses e que tem estado mais ou menos abandonada à espera desta data. Pois bem. Sei que todos já reconheceram o nosso Zé Povinho, criado em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro, para o jornal humorístico de crítica social e política  "A Lanterna Mágica". A partir do último quartel do século XIX populariza-se como objeto de cerâmica; é nesta altura, que o  manguito, gesto a que associamos sempre a esta figura, aparece. Quase trinta anos após a sua criação! 

Aqui, o Zé aparece numa associação muito curiosa a um dos símbolos da república, usando o barrete frígio e com uma expressão facial rude que deixa adivinhar um sentimento de fúria ou contestação. A representação do Zé Povinho nesta travessa foi, muito provavelmente, baseada em alguma imagem de um panfleto ou jornal. Corresponderia esta caricatura, ao período em que já se verificava algum desencanto com o novo sistema político? 

 Quanto a datas de fabrico e origem e atendendo às semelhanças entre os dois Zés, posso considerar as atribuídas a este prato, ou seja: Poderá ser de Aveiro ou Coimbra e a datação será  do 1º quartel do século XX.
Imagem retirada do livro "A cerâmica Portuguesa da monarquia à república". Coleção particular.
Resta-me acrescentar que acho este prato magnífico, pela ironia subtil que emana da decoração da aba, com nabos cuidadosamente dispostos como se de flores se tratassem.

Fontes - A cerâmica portuguesa de monarquia à república (Edição do Museu Nacional do Azulejo) 2011;
              O gesto do Zé Povinho: da figa ao manguito - João Medina 

Sei que não estou as seguir as normas para apresentação  bibliográfica, coisa complexa para quem não lida amiudadas vezes com este assunto, mas como meu blog está longe de ser um trabalho académico ou científico, posso aligeirar :) 

sábado, 16 de agosto de 2014

Um estore de rolo transformado em cortina romântica

Gosto que a banca da loiça da minha cozinha se encontre em frente à janela. Para além da luz natural que me cega logo pela manhã dos dias bonitos, dali, posso ver parte da minha pacata rua, particularidade que me foi muito útil nos tempos em que tinha que conciliar o trabalho na cozinha com a vigilância dos meus filhos enquanto corriam rua acima, rua abaixo. Bons tempos! Hoje, o meu olhar desvia-se da rua e prende-se noutros pontos de interesse. Olhar o jasmim-amarelo, ou a cautela dos melros, embevece-me. Olhar a casa que cresce mesmo ao lado deixa-me perplexa! Parece a Kaaba! A sério. É um cubo todo forrado com umas placas pretas!! Bom, mas que cada um seja feliz com o que gosta. Hoje só venho falar da cortina desta janela.


Cortina de cozinha, perto do local de mais movimento não pode estar limpa por muito tempo. E se não sou maníaca das limpezas há o mínimo que gosto de garantir. Mas, como também sou muito prática sempre rejeitei soluções que não me permitissem tirar, lavar e voltar a pôr as cortinas no sítio rapidamente e sem grandes dificuldades. A primeira solução que arranjei foi muito engraçada, durou anos, mas acabou por morrer de velha. Não quis repetir a fórmula, andei uns meses com a janela despida, até que me lembrei dos estores de rolo. Reunia todas as condições que eu pretendia, ainda com a vantagem de poder regular a altura de acordo com a tarefa, ou com o momento do dia.


Meu dito meu feito, lá pus a cortina que apesar de funcionar muito bem, não me agradava totalmente.Tinha um aspeto demasiado industrial e impessoal.




Um belo dia surgiu a ideia. Tirei-lhe a régua do remate e cosi-lhe uma franja com borlas e... voilà:) Resolvi o problema. Com esta simples aplicação retirei-lhe aquele ar de cortina de escritório e pu-la verdadeiramente a meu gosto, achando eu,  que fica muito bem junto dos meus bules.



terça-feira, 8 de julho de 2014

Um menino com um cordeiro ou o S. João

Prato de faiança portuguesa de dimensões consideráveis (35cm) e decorado com uma criança que se agarra ternamente a um cordeiro. Apesar de não ter nenhuma informação que me leve a tal, gosto de acreditar que é uma representação do S. João em criança. 
Acredito também, de que se poderá tratar de um prato antigo, talvez dos finais do século XIX. Mais uma vez, não tenho nenhuma informação que me leve a pensar assim, mesmo, estando este prato datado daquela época, no catálogo de uma leiloeira.
É a irregularidade da pintura e o motivo da decoração central que me faz pensar de que se poderá tratar de uma peça do século XIX.Os elementos fitomórficos, que decoram todo o prato também ajudam a esta minha convicção.
Todo o prato, para além dos "gatos" que aqui mostro  apresenta muitos outros sinais de uso, o que me leva a concluir que terá sido uma peça utilizada correntemente, quem sabe, uma palangana.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Um prato francês a fazer lembrar os "nursery plates"

Este prato de faiança francesa que escolhi fotografar rodeado daquilo que já foram os tesouros de um rapazinho é fabrico da extinta fábrica Hyppolite Boulenger & Cie, comummente conhecida na região por “faiencerie  Boulenger”. Fundada em 1804, em Choisy-le-Roi (comuna de Val-de-Marn a escassos quilómetros de Paris) pelos irmãos Paillart, esta fábrica laborou até 1938.
A partir desta data e fruto das convulsões laborais encerrou as suas portas, tendo sido toda a sua atividade transferida para a fábrica Creil-Montereau que, por sua vez, encerrou definitivamente em 1953.
Mas o tema que aqui traz este prato não é de forma alguma a faiança de Choisy-le-Roy, mas sim os nursery plates que fiquei a conhecer através do blog da Maria Andrade. É que não sei, até que ponto este prato, apesar da sua decoração claramente dedicada ao mundo infantil, se enquadra no conceito dos referidos nursery plates que conforme tão bem explicou a Maria Andrade, eram prendas oferecidas às crianças pelo seu bom comportamento durante a catequese, isto, na época vitoriana.Fiz alguma pesquisa na tentativa de perceber se este hábito era comum a outros países europeus, mas nada encontrei. Verdade seja dita que foi uma pesquisa pela rama.
Mas a  decoração deste prato não deixa margem para dúvidas quanto ao público a que se destinava. Crianças em idade escolar que achariam, com certeza, muita piada às sílabas, quem sabe do seu tormento, a enfeitarem a aba do seu prato. Não ficariam também indiferentes aos motivos que ilustram as letras G  e H e aos outros pequenos desenhos que tentam estimular a curiosidade e o gosto pela leitura.
Segundo informação que recolhi no catálogo de uma exposição, o carimbo do meu parto foi usado a partir de 1878.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Prato com arranjo floral

Considero este prato de decoração sóbria, um dos mais elegantes da minha modesta coleção e ao contrário deste, acho que teve assento em casa fina e de gente de gosto requintado. 
Tenho também a convicção de que se poderá tratar de um prato mais antigo do que aqueles que habitualmente compro, ou seja, primeira metade do século XIX. Será?  

 Sabem que dificilmente me abalançarei a opinar sobre origens ou antiguidade de uma peça, se não houver marca que me permita alguma pesquisa. Então, o que dita esta convicção? Duas coisas.
Toda a decoração, especialmente o motivo central a fazer lembrar as albarradas e a forma cuidada como foi aplicada a técnica de pintura. Esta última faz-me supor que não haveria ainda uma produção em série, mesmo que manufacturada. Um pormenor que poderá ser interessante para os especialista é o filete amarelo que define o bordo do prato.
O tardoz apresenta uma transparência fora do comum e poderá ser, talvez, um pormenor importante para a datação deste prato. 
De datação não precisam estes meus amores-perfeitos, que hoje deixo aqui para lembrar as giestas amarelas, com que eu em criança tapava as fechaduras de casa, para o diabo não entrar.:) Um bom dia de “maios” a todos.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Prato decorado com o "Homem do Harmónio"

Com uma decoração invulgar, este pequeno prato cativou-me com o seu engraçado boneco a tocar  harmónio e a dirigir-se, quem sabe, para alguma romaria minhota. Aqui no Minho é grande a tradição das harmónias ou, como se diz por cá, das concertinas. Nas Feiras Novas (as festas de Ponte de Lima desde 1826) há tocatas de concertinas à mistura com cantares ao desafio mais ou menos informais em todos os largos e ruelas da vila, o que dá a estas festas uma alegria e autenticidade únicas.


Mas centremo-nos neste prato. A figurinha central era-me vagamente familiar e numa visita a casa de uma cunhada reparei numa pequena peça em vidro, creio que um cinzeiro decorado com um par de dançarinos muito idênticos ao meu tocador de concertina. Percebi que os “bonecos” tinham saído do lápis do mesmo autor, dei-me por satisfeita  e não pensei mais no assunto.

Vagueando pela internet fui ter a um blog meu velho conhecido e que prezo muito, o Almanaque Silva, e de pesquisa em pesquisa descobri que o criador do meu “Homem do harmónio” foi um ilustre designer e publicitário português, Manuel Piló (1905-1988), que teve um percurso de vida um tudo ou nada itinerante, tendo vivido na Argentina, Estados Unidos e Brasil.
 " O homem do harmónio"
Este "Homem do Harmónio" faz parte de uma série de postais onde são representados elementos das romarias e costumes regionais portugueses, cuja datação se situa de forma  imprecisa em meados dos anos trinta. O meu prato será portanto posterior a essa data.
Fonte: Almanaque Silva

domingo, 16 de março de 2014

É uma casa portuguesa com certeza


Os mais eruditos falarão em arte naïf ou kitsch. Eu falarei em gosto popular carregado de ingenuidade e forte fé católica, ou não fosse esta casa na Afurada, terra de pescadores, que sabem como ninguém, o que é a dureza da vida. 


Quem engendrou este painel consegui juntar dois dos elementos mais conhecidos e apreciados da nossa cultura popular. Os azulejos (este não é o S. José) e as andorinhas com poiso certo na maioria das nossas varandas tradicionais. Quem, da minha geração, não se lembra delas? As mais antigas que se conhecem são criação do Rafael Bordallo Pinheiro, mas rapidamente foram apropriadas pelo nosso artesanato popular, que, como em tantos outros casos, simplificaram o modelo original, difundindo-o e vulgarizando o seu uso.

Para mim é uma casa portuguesa com certeza. E como não podia deixar de ser...




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Motivo número 7 - Fábrica de Loiças de Sacavém

As peças que mostro hoje são produção da Fábrica de Loiça de Sacavém (FLS) e estão decoradas com um dos motivos de que mais gosto. Quando me decidi a fazer este post quis saber o nome desta decoração e, de pesquisa em pesquisa, descobri que na FLS é designada por “motivo número 7”. Esta designação meramente técnica, de um motivo de inspiração oriental, portanto um tema vasto, não deixa de surpreender numa fábrica que nos habituou a nomes tão bonitos e imaginativos quanto Togo, Congo, Júpiter, Metz etc. Aliás, uma das minhas curiosidades é saber quais as razões da escolha dos nomes dos motivos e formas das peças de cerâmica. O que surge primeiro? Será o padrão, o formato, ou será a designação?  Mas, curiosidades à parte passemos então à apresentação das minhas peças, que pertencem a vários períodos de fabrico e foram compradas em diferentes  ocasiões.
 Comecemos pelo açucareiro de desenho modernista, que apresenta uma pasta muito brilhante e um  azul claro que tinge de forma uniforme toda a peça. Sabendo que o esborratado é caraterístico da técnica  aqui utilizada, o flow blue, considero, no entanto, este meu açucareiro um tanto ao quanto inusitado, pois na prática, acaba por ser uma peça de pasta azul claro decorada em azul cobalto. 
 A marca apresenta o já nosso conhecido cinto, neste caso, com três  furos para um lado, um no meio e dois para o outro e mais não me atrevo a dizer, pois sempre me baralhei com estas diferenças tão variadas e subtis. É do período Gilman Ldª.

O bule, feito de  uma pasta baça e grossa é  muito diferente do açucareiro e associa a decoração e o formato ao gosto oriental. É claramente uma peça que integrou um serviço de louça utilitária que não estava reservada para momentos especiais. O carimbo pertence ao mesmo período do açucareiro, mas com as tais diferenças nos furos do cinto.



Segue-se uma das quatro chávenas que tenho e não apresenta nenhuma marca. Especular sobre a sua origem nunca passará disso mesmo, no entanto, como curiosidade (a merecer um estudo mais aprofundado), refiro  que em França a conhecida  fábrica de cerâmica Creil-Montereau utilizou vastamente esta decoração que designou como Japon.

Finalmente as últimas chávenas e respetivos pires que ostentam a mesma  marca do período Gilman & Ctª.

 Para além deste carimbo, alguns pires apresentam algumas palavras e números incisos na pasta. Nenhum é igual ao outro. Num pode-se ler a palavra "Sacavém", noutro as iniciais "HM" e ainda um algarismo que me parece ser o 52. As chávenas não estão marcadas e apesar das semelhanças entre elas e os pires, nada nos garante que tenham pertencido ao mesmo serviço de origem.
Para terminar e agradecer a vossa leitura ofereço-vos um café no meu reduzido serviço de épocas diferentes onde se nota bem a presença da chávena intrusa.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Clube Sesimbrense - Azulejos de motivo geométrico

Com a máquina fotográfica avariada tenho agora uma boa oportunidade para mostrar algumas fotografias, que por um motivo ou por outro, foram ficando por publicar. Volto assim, aos azulejos de fachada, desta vez aos de um casarão em Sesimbra, que vim a descobrir ser a sede do Clube Sesimbrense ou Grémio, como também é conhecido. Este clube, que nasceu com o nome de Sociedade Philarmónica tem sido o centro da atividade cultural de Sesimbra desde 1853, data da sua fundação.
Fachada lateral
O edifício construído na década de oitenta do século XIX, num terreno de grande inclinação confina com um pequeno largo e a rua da República e tem a fachada principal e lateral revestida com este azulejo de motivo geométrico e de cores graciosamente combinadas. Gosto do efeito tipo construção infantil de cubos. Não sei se os azulejos serão da mesma época da construção da casa, mas na fotografia abaixo, parece  perceber-se uma pintura manual.

 Já não sei porque razão não fotografei a fachada principal. Imperdoável deixar escapar uma fachada destas,  tão bonita e romântica! Mas, acontece. Valha-nos a net para podermos colmatar estas falhas.
Fachada principal.  Foto retirada daqui
Segundo o SIPA ( Sistema de Informação  para o Património arquitetónico) as figuras femininas que encimam a balaustrada são uma alusão às estações do ano ou às musas. Todo  o trabalho de revestimento está delimitado com uma barra também ela de azulejo,  mas desta vez, decorada com linhas curvas, onde se usou só a cor azul. 
Pormenor da barra
A última fotografia que mostro é a de uma janela da fachada principal do edifício, onde se pode observar mais em pormenor o efeito visual da utilização destes azulejos numa área tão grande de revestimento.