Neste já quase inverno,
mostro as cores de outono captadas em Sernancelhe, numa não muito distante e
suave caminhada (apenas sete quilómetros), pela paisagem outonal mais bonita
que alguma vez vi.
Foram quilómetros, ao
longo de uma paisagem de seculares soutos matizados em tons de
castanho, onde, os ouriços, aos milhares caídos pelo chão eram reis.
Percebe-se nestas
paisagens a rudeza e a dureza da vida “…pobrinha, castigada pelo meio natural””,
que Aquilino Ribeiro refere no romance "Terras do Demo" e que, ainda hoje se vão mantendo, apesar de disfarçadas com as comodidades da vida moderna.
Mas nem só com a beleza dos soutos nos encantámos. Os cogumelos, apesar do adiantado da época fizeram as delícias dos seus apreciadores. Apanharam-se boletos, míscaros, sanchas e outros, enquanto se trocavam receitas e opiniões sobre a toxicidade ou não de alguns espécimes. Eu limitei-me a fotografá-los e a prometer aos micólogos mais insistentes que qualquer dia me iria atrever a provar tais iguarias. Escusado será dizer que me lembrei muito da Maria Andrade a quem dedico a foto abaixo.