Comprei este prato num conhecido site de leilões e o vendedor, que faz uma descrição muito honesta das suas peças, esclareceu que o carimbo estava ilegível, mas que a sua origem provavelmente seria estrangeira. Informou ainda que o seu fabrico seria dos finais do século XIX, princípios do séc. XX.
Depois de andar a olhar para o prato durante umas semanas, resolvi comprá-lo. O facto de por vezes, não comprar de imediato determinada peça, nada tem a ver com dúvidas, que eu possa ter sobre a sua marca ou provável antiguidade. Estes pormenores, fundamentais para os grandes coleccionadores, não o são para mim, embora, claro, perceba a importância da antiguidade numa peça. Entendo que não devo comprar tudo o que atrai a minha atenção e tento resistir à compra, quando desconfio que estou meia compulsiva:)
Mas voltemos ao prato, que está visto, não lhe resisti :)
É realmente muito bonito, de uma cor invulgar, entre o castanho e o cor de vinho.
O motivo principal é vulgar, apresenta uma cena romântica, com dois pares de namorados, passeando num jardim, próximo de uma pequena capela.
A aba é muito elegante com os seus arabescos e pequenas florzinhas.
Resumindo, gostei do prato e essa foi a principal motivação da compra. :)
Quando o recebi, e uma vez cumprida a árdua tarefa de o desembrulhar, começou o habitual ritual do mira e remira, lava, põe aqui ou acolá , até chegar a minha filha, que, quando vê vestígios de embrulhos, me pergunta entre o divertido e o terno se sempre foi desta que levei a família à banca rota :)
Toda esta historieta para dizer que, tal como o vendedor informara, constatei que a marca era praticamente imperceptível, ou melhor, com algum esforço, conseguia-se perceber um círculo, marcado na pasta. Perante isto, não voltei a pensar no assunto.
Num belo serão, em que me sentei noutro lugar, que não o habitual (herdei do meu pai a "mania" dos lugares marcados), o prato ficou no meu campo de visão, como que a lembrar-me, o desinteresse , a que a sua origem fora votado
Foi então, que resolvi ir buscar a lupa para tentar perceber, a desgastada marca.
De observação em observação, comecei a reparar, que havia outro pequeno círculo, no interior do mais visível, e que o traço deste, não era igual por todo, até que consegui vislumbrar uma âncora.
Chegada aqui, compreendi, que à parte superior do círculo deve corresponder um nome, talvez o da fábrica e à parte inferior, correspondem os dois braços da âncora, aliás bem visíveis na foto que eu tirei no modo macro,e o meu filho Vasco editou ( quanto a mim muito bem, pois conseguiu tornar a imagem da marca totalmente perceptível).
A âncora é um elemento comum a muitas épocas e fábricas, o que dificulta ainda mais a identificação.
As minhas pesquisas pela net, levam-me a crer, que seja da Davenport e bastante antigo, aliás, para além das marcas de uma trempe, bem visíveis, pode-se também ver um número 6 pintado a vermelho.
Não encontrei nenhuma marca exactamente igual a esta, pelo que se mantém a incógnita, e, enquanto assim for, a curiosidade manter-se-á espicaçada, o que é sem duvida uma mais valia, para alguns serões mais monótonos.