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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sombra e contraluz



Durante anos a fio tive um medo irracional de andar de avião e por isso elegi o comboio como meio  de transporte para longas distâncias. Foram muitos quilómetros assim percorridos, todos eles equivalentes a momentos únicos e inesquecíveis. Mas, mesmo gostando muito de andar de comboio há viagens que pela sua longa duração nos fazem esgotar todas as estratégias que arranjamos para passar o tempo. Foi o que aconteceu nesta viagem a caminho de Rimini. Já sem olhos que aguentassem a luminosidade da Bella Italia refugiei os olhos no chão do comboio, quando reparei nas diferentes sombras que ali se projetavam.   Divertida e com o tempo a passar sem dar por isso, fui-lhes tirando várias fotografias. Só esta, a da sombra do meu chapéu  resultou.


Este ano compreendi que tinha e me libertar dessa palermice do "medo do avião". Com dois filhos emigrados foi fácil! Só viajando de avião os posso abraçar em poucas horas:) Este medo inexplicável, foi-se, desapareceu! Começo a acreditar que nunca existiu tal é a facilidade com que entro num avião.

Aeroporto Francisco Sá Carneiro - Porto

terça-feira, 10 de julho de 2012

Janelas, sombras e penumbras


Creio que foi já no ano passado, que uma caminhada através do Caminho de Jacinto nos levou, até à Quinta de Vila Nova, em Baião, agora designada por Casa de Tormes, vulgo casa de Eça de Queirós e que apesar de ele nunca a ter habitado, a imortalizou no seu romance "A Cidade e as Serras". O conjunto formado pela casa, capela e jardins é bonito, mas não gostei da fachada, achei-a demasiado rude e austera. As duas escadarias paralelas uma à outra também não primam pela elegância.
A fotografia que se segue é de uma das janelas da capela, que achei encantadora, mesmo sabendo que o seu recheio, pouco ou nenhuma relação terá com a casa que o escritor conheceu.
Em baixo, em estilo neomanuelino, uma janela do Hotel do Bussaco. Há alguns anos, publiquei-a no site de fotografias Olhares e dei-lhe o título de " Perscrutando", pois foi isso precisamente que eu fiz, quando vi  a maravilhosa porta rendilhada que está em segundo plano. Creio que me cheguei a pôr em bisco de pés, para a ver melhor.

A última, e de todas que mostro, é a que mais me cativa. É o resultado das brincadeiras de um grupo de crianças, que, não cumprindo as regras da sala, não arrumou os jogos quando chegou a hora do recreio deixando os bonecos assim colocados no parapeito da janela, por trás de uma tela. Estava um dia de sol aberto e as sombras projetadas em contraluz provocaram este efeito muito giro. Sentei-me a apreciar o resultado engraçado, e dei comigo a conseguir ver o Major Alvega, Corto Maltese e até mesmo o Tintim, numa qualquer aventura africana :) Quando as crianças entraram novamente na sala, chamei a sua  atenção para o efeito provocado. Acharam muito piada e claro que durante uma temporada, as experiências sucederam-se com os mais variados materiais. Eu aproveitei o seu entusiasmo, para explorar com eles, algumas noções básicas e adequadas à sua idade, sobre  os efeitos de luz e sombra. Acredito que todas as matérias são passíveis de serem explicadas às crianças, desde que as adequemos ao desenvolvimento cognitivo de cada uma (Bruner).

domingo, 25 de abril de 2010

Procurando o caminho

Esperei longos minutos para conseguir que nenhuma pessoa passasse pela minha frente, para fotografar este vitral. Quando pensava que já tinha conseguido, um homem postou-se em frente ao vitral tentando ler o mapa com a luz que dele emanava.Pacientemente voltei a esperar e de tanto olhar, pensei que aquele vulto poderia dar outro sentido à fotografia.Fiz a foto e gosto dela.