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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Polegarzinha - Uma inspiração ou não


— Que linda flor! — disse a mulher, dando um beijo nas pétalas vermelhas e amarelas. Nesse preciso momento, a flor abriu-se com um forte estalido. Era realmente uma túlipa — agora via-se bem —, mas mesmo no centro da flor, no centro verde, estava sentada uma menina minúscula, graciosa e delicada como uma fada. Não era maior que metade de um polegar, e por isso ficou a chamar-se Polegarzinha.

Imagem retirada daqui

E assim começa a história da "Polegarzinha" de Hans Christian Andersen, um clássico da literatura infantil, tantas vezes  por mim lido e recriado às minhas crianças. Conta as aventuras e desventuras de uma menina tão pequenina cuja cama é  uma casca de noz e que tem como desejo principal encontrar alguém do seu tamanho. Ao fim e ao cabo, um desejo igual ao do comum dos mortais, este, o de encontrar alguém com quem nos identifiquemos e onde prevaleçam as afinidades. 



Creio não ser muito rebuscado associar a decoração deste prato à história que acabei de referir. Comigo a associação foi automática e, posteriormente, prendi-me mais a observar a técnica de estampilha aqui utilizada.

Como terá sido executado o motivo central? Com uma única estampilha a dar forma a esta decoração, ou antes, uma composição feita com recurso a  diferentes placas?

Inicialmente inclinei-me para a segunda hipótese, mas o recurso a várias chapas talvez tornasse o trabalho mais complexo, menos célere e provavelmente este tipo de louça "andadeira" não justificasse  o uso de uma  técnica que baixasse a produção. Puras conjeturas! 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Conversas em redor de um pássaro

 Acabei de ler o  post do Velharias do Luís onde é abordado o sempre oportuno tema da identificação da  faiança portuguesa, ou melhor dizendo, da dificuldade nesta identificação e do risco de errarmos quando fazemos de forma aligeirada uma atribuição a este ou àquele centro de produção  ou região.
Para ilustrar o post o Luís socorreu-se de duas encantadoras peças, estabeleceu algumas semelhanças entre os seus padrões e desenvolveu uma ideia muito interessante sobre a pertinência de um estudo sobre os gostos decorativos da população da época. Ora, uma das peças, o prato decorado com um passarinho, fez-me lembrar um prato meu também ele decorado com um passarinho, mas este, muito pouco convencional. Ora reparem.
Para mim, o artista que pintou este prato adaptou com grande criatividade a estampilha de um peixe ao corpo de uma ave. Se lhe retiramos as asas e a pata o que fica? Um peixe. Um bocado desajeitado é certo, mas ainda assim um peixe.
Não sei se está correta esta minha especulação, mas uma coisa é certa. Este é daqueles pratos pelo qual nutro uma simpatia especial. Para além do "pássaro peixe" gosto muito do ramo outonal  e acho uma graça especial à cercadura com os elementos de recorte miúdo.