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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pratos falantes: Uma inspiração

Nem a inspiração das faianças portuguesas conseguiu que eu mostrasse atempadamente dois pratos falantes alusivos ao Dia dos Namorados. Não que o valorize ou que alguma vez o tenha festejado! Quando eu era jovem não se falava em tal coisa. O namoro era vivido sem este dia e comemoravam-se unicamente as datas verdadeiramente significativas para cada par. Mas aceito e respeito que as vontades se vão mudando com o passar do tempo. O importante é que cada um  viva com amor de forma plena, dando, recebendo e respeitando.

Este primeiro prato, com uma decoração muito sóbria na sua cor única e motivos delicados, parece-me ser um trabalho mais recente do que os outros que possuo. Para além disso toda a contenção na sua decoração parece deixar adivinhar uma certa intenção de atingir um público com um gosto mais discreto. Enfim. Divagações.
O segundo prato, certamente oferta a uns noivos, mostra-nos uma decoração que apesar de mais colorida do que a do prato de cima, revela igualmente um certo requinte. Quanto a sua  origem nada sei, mas neste caso, atrevo-me a dizer que não me parece produção de Coimbra. 

Para  terminar uma foto do casamento dos meus avós maternos em 1922.Terão eles recebido alguma coisa do género? 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Francisco Xavier (1917 -2015)

Teve uma vida longa e plena. Nasceu em berço de ouro em plena avenida de Liberdade em Lisboa. Agruras da vida atiram-no a ele, mãe e irmãos para uma aldeia beirã sem água canalizada  nem luz. Tinha ele quinze anos e estudava no liceu Camões. Filho mais velho de seis irmãos transformou-se no homem da casa. Bom  conversador e um grande contador de histórias, sempre falou desses tempos vividos nas serranias da Freita, com um grande sentido de humor. As nossas memórias, as dos filhos e também as dos netos, estão repletas das suas narrativas desses tempos duros, vividos por ele, mas sempre com a tónica na  boa disposição. 
Foi o seu otimismo que o fez rumar a Angola, agora casado e com uma criança de meia dúzia de meses. A viagem demorou treze dias! Ele por lá ficou vinte e cinco anos.Como sempre, angariou o  respeito e consideração de todos os que com ele lidavam e construiu uma vida.  O vinte e cinco de abril interrompeu esta rotina  feliz e tranquila.Sucedeu-se um período de muitas angústias e aflições. Como ele gostava de dizer, começou outra vez pelo garfo e pela colher. Nunca perdeu o aprumo, a honestidade, o cavalheirismo. Talvez por isto tenha reconstituído a vida com relativa facilidade. O tempo passou até sexta-feira passada.
 Agora é a lembrança dele que nos apazigua a tristeza. Sei que o meu pai é  mais do que uma suave recordação. Ele é acima de tudo um exemplo para todos, especialmente para os netos que estão agora a começar a construir  as suas vidas num período com alguma similitude ao da  juventude do seu avô.