quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pratos falantes: Uma inspiração

Nem a inspiração das faianças portuguesas conseguiu que eu mostrasse atempadamente dois pratos falantes alusivos ao Dia dos Namorados. Não que o valorize ou que alguma vez o tenha festejado! Quando eu era jovem não se falava em tal coisa. O namoro era vivido sem este dia e comemoravam-se unicamente as datas verdadeiramente significativas para cada par. Mas aceito e respeito que as vontades se vão mudando com o passar do tempo. O importante é que cada um  viva com amor de forma plena, dando, recebendo e respeitando.

Este primeiro prato, com uma decoração muito sóbria na sua cor única e motivos delicados, parece-me ser um trabalho mais recente do que os outros que possuo. Para além disso toda a contenção na sua decoração parece deixar adivinhar uma certa intenção de atingir um público com um gosto mais discreto. Enfim. Divagações.
O segundo prato, certamente oferta a uns noivos, mostra-nos uma decoração que apesar de mais colorida do que a do prato de cima, revela igualmente um certo requinte. Quanto a sua  origem nada sei, mas neste caso, atrevo-me a dizer que não me parece produção de Coimbra. 

Para  terminar uma foto do casamento dos meus avós maternos em 1922.Terão eles recebido alguma coisa do género? 

10 comentários:

  1. Maria Maula

    O São Valentim e o dia dos namorados são realmente coisas recentes em Portugal. Na verdade, em Portugal, os padroeiros dos namoros sempre foram Santo António de Lisboa ou São Gonçalo de Amarante.

    Gostei dos seus pratos e do remate final do dia de casamento dos seus Avós.


    Bjos

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    1. Olá Luís
      O São Valentim é coisa tão recente em Portugal que nem os meus filhos, todos na casa dos trinta, o festejam. Quanto ao Santo António, o nosso Santo casamenteiro, sempre ouvi o meu pai a contar as brincadeiras e jogos que se faziam neste dia na sua juventude. Algumas histórias muito engraçadas e divertidas, mas que nunca me levaram a correr para a janela na esperança de ouvir o nome do amado :) A minha avó, convicta, dizia que com ela tinha resultado. Mas na década setenta e naquelas latitudes, o Santo António pouco ou nada dizia aos jovens.
      Tenho uma predileção por estes pratos falantes, vá-se lá saber porquê.O certo é que só lhes resisto quando os preços são exagerados, caso contrário, lá os trago para casa.Aqui pelo Norte não aparecem muito.
      Bjs

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  2. Estes seus pratos são bonitos. Não sei porquê, quando vejo estes pratos à venda, e vejo imensos, nunca me dá para os comprar. Vá-se lá saber porquê, pois quando os vejo aqui, fico sempre a gostar tanto deles e penso que já os poderia ter adquirido.
    Debalde ... nunca me dá para isso, mas também já compro tanta coisa que devo refrear-me um bocado.
    O Luís acha que digo isto só "da boca para fora", pois ele considera que continuo a comprar a um ritmo que ele carateriza de "alucinante", e eu prefiro nem parar para pensar, senão arrepiam-se-me os cabelos ... que não tenho.

    Os seus avós eram muito janotas.
    É curioso, pois a minha avó materna (a única que conheci) casou-se em 1923, só que o seu casamento foi um casamento rural e pobre, de onde nem sequer surgiu qualquer fotografia.
    A minha avó tinha 29 anos e o marido 19, idades completamente díspares e pouco usuais para noivos da época e indicadores de catástrofe.
    Não foi de admirar pois que, 4 anos volvidos e 2 filhos depois, a minha avó se tivesse visto sozinha e abandonada, pelo que, até à sua morte (faleceu com 89 anos), nunca mais viu o marido, o qual desapareceu no Brasil profundo, casado em bigamia com uma qualquer nativa do país, de cuja união, segundo reza o relato de quem o conheceu e acompanhou, nasceu quase uma dezena de filhos (olha do que a minha avó se livrou!!!).
    Esta minha avó não mais voltou a casar e viveu uma vida solitária e excêntrica, ainda que muito respeitada no seu meio, tendo andado igualmente por África, aliás, adorava viajar, no que teve uma boa sucessora na filha dela (a minha mãe).
    Um bom final de semana
    Manel

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    1. Brasil e Portugal estão efetivamente ligados por muito mais, do que os conhecidos factos históricos comuns aos dois países. As histórias de vida de tantos cidadãos anónimos tendo como referencial comum o Brasil são muito interessantes.Este meu avô, soube-o agora há muito pouco tempo, também passou pelo Brasil, mas ainda solteiro. Portanto, obrigatoriamente antes de 1922. Disse-me a minha mãe que foi com o dinheiro que ele lá ganhou, que comprou a quinta onde se instalou depois do casamento e onde lhe nasceram os dez filhos! Só duas filhas não emigraram. Quatro rumaram também para o Brasil. Uma das filhas de um destes meus tios, iniciou agora lá no Brasil, uma pesquisa para tentar descobrir os passos do nosso avô por terras brasileiras. Nenhum dos filhos vivos deste avô têm a mais pequena ideia de por onde ele terá andado. Estou curiosa com o resultado.Mas sim, tem toda a razão. Estes noivos têm um ar muito janota. Ele especialmente :) Esta minha avó, mais nova dez anos do que o marido enviuvou cedo. Dedicou toda a vida à quinta. Vida dura.Ao contrário da sua avó que andou por África ( fez ela muito bem) esta, manteve-se sempre vestida de preto e nunca saiu dali, do seu pedaço de terra. Questiono-me se terá conhecido Lisboa.
      Como já disse ao Luís, sinto-me terrivelmente atraída pelos pratos falantes. E ao contrário do Manel, não lhes resisto, a não ser que o preço seja uma exorbitância, o que acontece com uma certa frequência. Aqui pelo Norte não aparecem muito, o que vai impedindo que a minha coleção seja ainda pequena, creio que não ultrapassam a dúzia:)
      Uma boa semana

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  3. Olá Maria Paula.
    Do lado de cá do Atlantico o dia dos namorados é comemorado em 12 de junho.
    Acredito eu que é por conta das festas juninas que comemoram os três santos, Santo Antônio, São João e São Pedro.
    Como o dia de Santo Antônio é 13 de junho, comemoramos o dia dos namorados na véspera, dia 12.
    No dia 13 é comum algumas igrejas prepararem o bolo de Santo Antônio onde pequenas imagens do santo são colocadas na massa.
    Ao adquirir um pedaço do bolo, caso venha com a imagem, é sinal de casamento!
    Tradições portuguesas com sotaque brasileiro!
    "Capelinha de melão é de São João, é de cravo, é de rosa, é de manjericão..."

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    1. Olá C. Deveikis
      Não sabia que aí, o dia dos namorados se festejava a 12 de junho. Estava convencida de que a data de 14 de fevereiro fosse mais ou menos comum a grande parte dos países.Mas faz todo o sentido a relação do Santo António com o Dia dos Namorados. Afinal a devoção popular consagrou-o como casamenteiro.
      Aqui em Portugal, os festejos destes três santos, os "Santos Populares" são no mês de junho mas em em dias diferentes variando de região para região. A sardinha assada, o manjerico e os balões de ar quente são os elementos comuns. Aqui em Braga e no Porto o nosso Santo é o São João e é festejado de 23 para 24 de junho de forma insanamente divertida :) Multidões calcorreiam quilómetros ao longo da cidade de martelo de plástico, alho porro e outras ervas aromáticas na mão ora dando na cabeça uns dos outros com estes artefactos, ora dando a cheirar a cidreira ou outras aromáticas. A par disto, os bailaricos, comezainas, rusgas, cascatas e procissões completam as festas.Achei curiosa a referência ao melão,fruto de verão aqui na europa, no verso que aqui deixou.Em Portugal ele não aparece como mote para as quadras dos Santos Populares. Aqui as apalavras que devem obrigatoriamente aparecer são entre muitas outras o cravo, manjerico, as orvalhadas, as rodas, o balão, a fogueira, cascata etc, etc. :)
      Um abraço

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    2. A "capelinha de melão" é porque em alguns lugares é costume usar um melão cortado ao meio para fazer uma capelinha para São João.
      Essa capelinha é decorada com cravos, rosas e manjericão.
      Faça uma busca no google imagens, você vai se encantar!

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    3. Fiquei encantada com as capelinhas de melão que encontrei aqui na net. Ingenuidade,criatividade e devoção de mãos dadas.A decoração com cravo-da-índia é um remate muito feliz. Muito obrigada pela partilha.Em Portugal, apesar dos santos terem também o seu altar, nunca vi nada no género. O mais frequente é estes altares estarem inseridos numa cascata que mais não é do que uma construção temporária, semelhante a um presépio, disposta geralmente em degrau e com uma pequena queda-d’água, onde aparecem misturados elementos do sagrado e do profano representnado cenas alusivas ao santo popular que se homenageia. Também os há muito mais simples, em que uma caixa de cartão ornamentada com um naperon, uma pequena estatueta do Santo por cima, ladeado de vasos de manjerico é o quanto basta para que, nas terras mais pequenas, as crianças ainda peçam a quem passa, uma moedinha para o Santo da sua região.
      Uma boa semana

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  4. Olá, Maria Paula! Gostei muito da foto de seus avós no dia das bodas. O vestido da noiva, curto, me surpreendeu, geralmente eram vestidos longos.
    Já dei uma passeada pelo seu blog - dei um giro - e achei ótimo, tudo o que eu gosto também, velharias, cerâmicas - os pratos com nomes e frases são ótimos, ingênuos.
    Nota: dar um giro por aqui é passear, dar uma volta, andar. "Vou dar um giro" se diz.
    Abraços.

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    1. Olá Jorge Santori
      Muito bem vindo a este blog. Os seus giros por aqui serão sempre muito apreciados:) Aqui em Portugal o termo giro significa igualmente passear, dar uma volta, uma passeata. Também damos um giro e volta e meia, quando a " mostarda nos chega ao nariz" também mandamos alguém dar um giro :)
      O vestido de noiva desta avó parece-me ter sido uma peça muito simples, despretensiosa e muito de acordo com o meio rural e provinciano a que pertenciam, talvez, daí, o seu tamanho. A título de curiosidade digo-lhe que este meu avô foi emigrante no Brasil no seu tempo de solteiro. Tenho uma prima em São Paulo que anda a tentar descobrir por onde terá ele andado, pois até aos nossos dias não chegou nenhuma informação sobre isso. Aliás, só há poucos meses a minha mãe me contou este episódio :)
      Um abraço

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