terça-feira, 27 de março de 2012

Bule com casario

Nos últimos dias do passado verão comprei este bule e  este prato quase de uma assentada :). Comprei-os em casas diferentes, mas na mesma rua, uma rua estreitinha,  muito característica, onde prevalece o comércio tradicional,  que eu cada vez mais aprecio.
A casa, é uma boa casa de autênticas velharias, suficientemente grande e bem abastecida  para eu me deixar ficar por lá esquecida, a mirar e a mexericar. Neste caso acrescentarei o tagarelar, pois, o dono da loja para além da simpatia, era um bom conversador.
O bule, que apresenta a mesma decoração dos dois lados, está, como se pode ver, muito estragado  mas não lhe resisti aos encantos. Não tem tampa e a asa está no estado que se vê. Comprei-o por  tuta e meia e vim de lá toda realizada:)

Na fotografia abaixo mostro um pormenor da decoração do bule, pois sei, que para os entendidos pode ser uma pista, que ajude a chegar à sua origem, sabendo de antemão o quanto é difícil fazê-lo, quando não há marcas.
Seguindo a sugestão da Maria Isabel, mostro o  fundo  do bule, pois este pormenor, poderá será mais um elemento a ajudar os entendidos no estudo ou identificação de peças.

domingo, 18 de março de 2012

Prenúncios de primavera no meu jardim

Flores do jasmim - amarelo, que por não terem aroma, não concorrem com as espécies de flor branca, estas sim, de intenso odor, e por isso mesmo, indispensáveis na indústria da  perfumaria. O jasmim  sendo originário da China propagou-se por toda a  península Ibérica, pela mão dos povos árabes, quando, em tempos remotos, estes, a colonizaram. O poeta sírio Nizar Kabbani, na sua obra  magistral Mensaje de amor a España alude  às marcas deixadas  pela pela civilização árabe questionando num dos versos: "Acaso haveis ouvido falar de uma conquista que deixou atrás de si mil livros de poesia, mil alvercas de água e plantados mil pés de jasmim?"
O meu jasmim- amarelo que foi plantado junto ao estendal para o camuflar, volta e meia, mistura-se com a roupa estendida exigindo "um chega para lá" constante dos seus ramos. Confesso, que tive preguiça de apanhar a toalha que secava, não pensando na altura, que tal pormenor, poderia até, beneficiar a fotografia.

 Em baixo, um botão de sardinheira fotografado numa recente manhã de chuva miudinha.

Rebentos da minha pitangueira que foi tratada com mil cuidados ao longo de todo o inverno, não me tendo eu, ainda, atrevido a mudá-la do vaso para o jardim. No próximo outono farei isso. Até lá, já sei que a espreitarei quase diariamente, esperando que, tal como na última primavera, ela floresça. Quanto a ter pitangas :) já sei que tão cedo isso não acontecerá.

Esta última fotografia não estava prevista para este post , mas uma vez que veio a propósito, aqui fica  uma das três flores que a pitangueira deu o ano passado.

sábado, 10 de março de 2012

Montras - II

Hoje, volto ao tema "Montras",  que só muito recentemente descobri ser interessante para fotografar. A  da foto que se segue, por exemplo, remeteu-me de imediato para a pintura de Henri Rousseau, pintor francês, que  só muito tardiamente foi reconhecido como tal. Foi recusada, por exemplo, a sua participação, nas exposições organizadas pelo Salon de Paris, instituição oficial, e ao que parece, pouco aberta a  novas ideias. Rousseau participou em várias exposições independentes, que foram surgindo em oposição à entidade oficial, como por exemplo o Salon des  Refusés e o  Salon des Indépendants, entre outras.
Mas voltando à minha foto. A associação ao quadro, "O sonho"  foi inevitável. Os elementos comuns à pintura em questão e à montra  justificam-na.  Estão lá, a selva e o exotismo, representados na minha foto pelas folhas de palmeira, o capacete colonial, o colar havaiano, o leão, os frutos etc. E depois, reparem, para além da nudez do  manequim, há a sua posição corporal, muito semelhante à do quadro. Os lustres da fotografia e o sofá da pintura, que a mim me parece de veludo vermelho, poderiam coabitar no mesmo salão. Estarei eu tremendamente sugestionada? Ou será que realmente o "O sonho" inspirou o criador desta montra?
"O sonho" daqui

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os frascos "Le Parfait"

Desde criança que me recordo destes frascos e consoante o hemisfério em que me encontrasse, lá estavam eles, ou cheios de geleia de marmelo, ou com compotas de mamão verde ou maduro. As mulheres emigradas para África, neste caso refiro-me a Angola, com grande mestria recriavam as suas receitas europeias utilizando os produtos locais, o que, quase sempre, resultava muito bem.

Os frascos " Le Parfait" têm a sua origem em França, na cidade  Reims e apareceram por volta de 1930, quando ainda não estava generalizado o uso do frigorífico. Daí o seu sucesso, pois, a célebre borracha cor de laranja, permitia que estes frascos fossem  fechados hermeticamente possibilitando desta forma, a conservação  prolongada dos alimentos.

Em baixo cartazes publicitários onde se reforça  a ideia de um sistema conservação que mantém a frescura e sabor dos alimentos aliados a um sistema de abertura fácil.
Imagem retirada daqui. Agradeço desde já a partilha.
Cartaz publicitário aos "Le Parfait". Foto retirada do eBay.fr
  O  design robusto, prático e ergonómico destes frascos foi também, seguramente, um fator de sucesso  desta marca. Curiosamente a concorrência "colou-se" a estes conceitos e criou o " Le Prartique", o " Le Meilleur" e o  "Le Triumph".

Escusado será dizer que tenho alguns destes frascos, e que quando fiz a pesquisa para este post é que descobri que tenho precisamente dois exemplares concorrentes. Aqui estão eles.



 Não uso estes frascos para conservar alimentos, mas tão só, para guardar legumes ou frutos secos, juntando assim a parte utilitária à decorativa. 
Decorei assim um recanto da minha cozinha, com estes frascos, sendo que alguns, já são uma variante mais recente destes modelos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Revisitando o Cantão popular

Há dias assim! Acordei cedo com o propósito de falar sobre as minhas peças de Cantão popular, que aprendi a gostar com o  Luís. Mas o dia prometia :) Não sei que voltas dei, que ao preparar o pequeno almoço parti a cafeteira de vidro da minha máquina de "café de saco":( Improvisei e tudo se resolveu, mas, entre apanhar caquinhos e limpar o chão, lá se foi o meu tempo extra....Nada que me tirasse a  boa disposição. Mas, quando ao fim do dia chego a casa, e vejo o meu prato que mostra uma versão do palácio imperial, tipo pagode,  partido em quatro ou cinco pedaços fiquei aborrecida, como diria o meu pai, baixando a voz "chatiadíssima".

O prato acidentado em todo o seu esplendor
Lembrei-me das empregadas trapalhonas que o Luís às vezes refere com muito piada e que, tantos danos vão causando aos nossos tesouros. Esta senhora já é o segundo prato que me parte! Mas ,como eu própria, hoje parti a cafeteira fiquei mais condescendente e a pensar que isto não passa de um mal menor. voltando a este prato, acho-o original, nunca tinha visto o palácio imperial assim representado, daí ter sentido mais pena. Resta-me restaurá-lo.

Nesta foto, para além dos meus "Cantões", mostro os azulejos  de que falei aqui. Já estão colocados definitivamente, não sei antes os ter colado a uma placa de acrílico, que, se fosse hoje teria optado por uma mais grossa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Faianças e panos do Congo

 Gosto muito deste prato de sopa rústico e colorido e  mal o vi percebi que seria muito difícil não o comprar. Não opinarei sobre a sua proveniência, pois não consigo identificar nenhum elemento na sua decoração que me remeta para um tipo específico de produção.


Não terá sido prato de casa "fina", mas se o foi, não terá certamente, passado da cozinha.Tenha ele servido quem serviu, o certo é que, para além de  lhe achar  qualquer coisa de familiar, gosto estranhamente dele e só há pouco tempo descobri porquê. Faz-me lembrar os coloridos panos africanos, que em Angola são designados por "panos do Congo", nome que tem a ver com a sua origem e que chegaram, em tempos remotos a ter o valor de mercadoria  moeda. Claro que nesta altura, os "panos", não passariam de pequenos pedaços de tecido feitos à base de fibras vegetais, cujas únicas cores deveriam  ser as da matéria prima com que eram produzidos e não tinham semelhanças com os actuais, cheios de cor e padrões variados.

Amostra de um "pano do Congo"retirada do ladyholiday.blogspot.com 

Foto retirada da net e que mostra a riqueza e variedade dos padrões dos "panos do Congo". Agradeço a fotografia ao autor que não consegui identificar.

Nos inícios da década de setenta, em Angola, as jovens apropriaram-se do uso destes tecidos e foi grande  moda fazerem com eles, saias compridas ou curtas, as famosas maxi e mini-saia :), garridas e exuberantes, normalmente acompanhadas de sapatos com solas muito grossas e saltos a condizer :) Usávamos estes tecidos e desconhecíamos por completo que cada padrão contem um nome, uma ideia ou até mesmo  um provérbio, e que assim, cada pano que se veste  envia uma mensagem a quem nos vê. há-as relacionadas com o casamento, a família, acontecimentos, intrigas etc. Em baixo eu, com uma saia feita de um "pano do Congo" e um grupo de amigos.

 Post estranho este! Começo nas faianças portuguesas  e quando dou por mim já estou estou na minha terra :) Pensando melhor, não é tão estranho como parece, este post. São objetos do meu afeto, consegui juntá-los e isso dá-lhes um sentido único.Eu, por mim, sinto-me feliz depois desta escrita.Tanta coisa que este prato me fez lembrar :) E é assim que eu gosto de recordar, sem cheiro a mofo, com saudades, mas sem saudosismos piegas.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Bancos de jardim e não só

 Aqui no norte fizeram desaparecer grande parte dos  velhos e encantadores bancos de jardim feitos de ripas de madeira, regra geral pintados de vermelho. Tenho pena que isso tenha acontecido. Eram bonitos, mais ergonómicos do que os paralelepípedos graníticos (polidos!) que agora se veem com frequência. Estes, são duros, frios ou quentes, conforme seja  inverno ou verão, não nos deixam descansar  confortavelmente, parecendo antes, estarem permanentemente a fazer-nos um convite para continuarmos o caminho. Tenho visto soluções inovadoras harmoniosas e perfeitamente enquadradas no meio,  conseguindo manter o encanto do clássico e do tradicional sendo exemplo disto, este banco do jardim da Catedral de Santa María de Vitoria.
Os bancos que se seguem, não são propriamente de jardim, mas antes bancos de lago:) neste caso o lago Léman, e estão estrategicamente espalhados ao longo das suas margens, convidando uns, ao descanso, à contemplação, ao silêncio...
...outros, convidam a dois dedos de conversa, e há ainda um terceiro grupo, que  não se importando de servir de mesa para o portátil ou de banqueta para descansar as pernas, nos convidam a esquecer os caminhos que nos aguardam.
O que se segue é nosso, é nacional, e apesar de ser um "quente e frio" gosto dele. Quem sabe a que jardim pertence este banco? :)