domingo, 10 de novembro de 2013

Uma chávena de chá

No seguimento deste post do Luís e a propósito das boas peças que volta e meia vamos encontrando ao preço da chuva, mostro hoje o meu “achado” de há já uns meses, na feira de Ponte de Lima.

Ei-la! 

Estava no chão no meio de uma grande quinquilharia e eu nem queria acreditar no preço que a rapariga pedia por ela, dois euros e meio! Trouxe-a, como se um autêntico tesouro se tratasse.
Não duvido da origem inglesa desta chávena, mas quanto à fábrica que a produziu não me pronuncio. Pesquisei bastante, com base na decoração, mas não encontrei nenhuma semelhante. Acho muito curiosa a sobriedade da decoração exterior em contraste com o preenchimento rico do interior. Na parte de trás está pintado a dourado, o número 113, que será o pattern number.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pratos de faiança com bailarinas

Passado o pico de trabalho eis-me de volta às coisas de que gosto, com dois pratos que me encantam por várias razões, não sabendo eu muito bem, qual a principal. Se o motivo pouco frequente, a dança, ou a própria representação das bailarinas, em que uma (a do primeiro prato) apresenta uma decoração de gosto mais popular.

Este primeiro prato não tem uma semana cá em casa, mas foi o tempo suficiente para encontrar um muito idêntico no MatrizNet, propriedade do Museu da Música e atribuído a Coimbra. Esta referência poderá ser uma ajuda à identificação da origem da minha gaiteira bailarina :)

Foto referida da MatrizNet. Prato atribuído a Coimbra.
Ainda neste prato acho curioso o penteado e a meia-lua entre as mãos que sugere o uso de um lenço na coreografia.
Pormenor do centro do prato. O modelo sugere uma bailarina já matrona.
O segundo prato, mais sóbrio com a sua decoração monocromática, mostra-nos uma bailarina mais elegante e mais airosa do que a anterior. A posição dos braços e das mãos podem levar-nos a crer que está a tocar castanholas. Será?

O stencil, a técnica usada neste prato fez surtir um efeito curioso na bailarina, que faz lembrar um boneco articulado.
Quanto à origem deste último, não consegui encontrar referência alguma. Estão agora os dois, lado a lado, na parede de um compartimento cá de casa, a que pomposamente chamamos escritório.

domingo, 29 de setembro de 2013

Fachada com azulejos de duas cores e friso Arte Nova

Hoje mostro mais uma fachada integralmente revestida a azulejo, num dos raros casos que conheço aqui pelo Norte onde foram utilizadas duas cores. Esta casa fica situada numa rua muito próxima desta,da qual já falei, também a propósito dos azulejos de fachada. São ruas muito antigas da cidade de Braga que existiam já na Idade Média e que na segunda metade do século XIX sofreram grandes obras de  requalificação, que lhes alteraram completamente a aparência de origem medieval.

Rua da Erva,  rua do Poço, rua da Judiaria Velha ou rua de Santa Maria  foram as várias designações toponímicas que a atual rua D. Gonçalo Pereira sofreu  ao longo da Idade Média.

Como digo no inicio,  nunca vi aqui pelo Norte fachadas revestidas a azulejos de duas cores. No Rio de Janeiro esta opção foi frequente, conforme vamos tendo oportunidade de ver  no blogue  do nosso amigo Fábio Carvalho. Na Cidade Maravilhosa este revestimento a duas cores, toma as mais variadas conjugações. Será que há alguma relação entre estas opções e o temperamento ou o gosto estético de cada povo?
Mas voltemos aos nossos azulejos, que eles sim são o tema do post de hoje. Gosto da combinação do cor-de-rosa e do castanho, mas, sem dúvida, que é o friso em estilo Arte Nova, que confere toda a beleza ao edifício. Bem, por uma questão de justiça não podemos  ignorar a graciosidade do ferro forjado  utilizado nas varandas, janelas e portas.
As linhas ondulantes que se enroscam e entrelaçam emoldurando a margarida e a pomba são bem significativas do estilo do período Arte Nova. 
Estas linhas serpentadas são conhecidas como “linhas em chicote” e a origem desta designação está na analogia estabelecida entre o trabalho de tapeçaria de Hermann Obrist, Cyclamen, e as correias dum chicote. Hermann Obrist foi um escultor suíço que integrou o movimento  Arte Nova e que, para além da escultura se destacou também noutros campos da arte. 
Cyclamen (1892)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Azulejos - alguns sobreviventes

Crio hoje uma nova etiqueta no blog, com o intuito de mostrar o que vai restando dos azulejos que revestiam as antigas fachadas. Por vezes (muitas vezes infelizmente), encontram-se antigos prédios citadinos, que são restaurados unicamente ao nível do rés-do-chão, tendo-lhes sido retirado todos os antigos azulejos de revestimento e aplicado em sua substituição, grandes placas de granito ou mármore. Embora reconheça grande beleza a estes nobres materiais, não os gosto de ver neste tipo de intervenção. Mas, nem tudo é tão mau. Em alguns destes prédios, alguém se lembrou de deixar pequenas, pequeníssimas áreas, com o revestimento antigo. Uma sorte para quem gosta de ir descobrindo a beleza escondida das nossas cidades.

 Começo pelo Porto, a cidade que me acolheu em 1976 e que com quem eu mantive uma má relação durante algumas décadas.  Hoje estou rendida, mas não completamente:) . Falta-me o sotaque e torcer pelo FCP :)
O primeiro exemplar encontra-se na rua do Almada. É um azulejo em relevo, frequente aqui no norte e na última fotografia pode-se perceber o efeito tristonho  desta opção.


Estes últimos exemplares foram já fotografados na rua das Flores, ali mesmo em frente à estação de S. Bento e mostram, nem mais nem menos, os  nossos velhos conhecidos, azulejos "bicha-da-praça" dados a conhecer pelo Luís do Velharias
É notória a falta de cuidado na colocação dos azulejos, mas talvez seja preferível a terem desaparecido numa entulheira qualquer.
Nota - Desta etiqueta vão constar também, outro tipo de situações que não propriamente as "amostras" que vão sendo deixadas em antigas fachadas. Estou-me a lembrar por exemplo, de alguns azulejos que revestem muros e escadas dos jardins do museu dos Biscainhos.

sábado, 24 de agosto de 2013

Prato coberto - Miaragaia ou Santo António de Vale da Piedade



O post da Maria Andrade, De novo a Fábrica de Santo António.fez-me decidir apresentar este meu prato coberto  que apesar de se encontrar no alinhamento das publicações há já algum tempo, foi ficando para trás sem motivo nenhum especial.  Não podia perder a oportunidade criada  agora pelo já referido post  para o mostrar.

Pelo muito que fui lendo e vendo, habituei-me a pensar nele como sendo produção de Miragaia. Encontrei, por exemplo, semelhanças na última travessa deste post que o Luís nos mostra. Repare-se, que apesar de na minha peça, não haver a palmeira que surge por trás do casario, a semelhança das árvores que o ladeiam é evidente. Até na caraterística inclinação de uma das árvores há semelhanças. 

Outra peça que me levou a pensar em Miragaia como possível origem do prato em questão foi  este galheteiro da Maria Andrade. As flores que decoram o lado mais curto do prato, que é retangular  e com os cantos arredondados são muito semelhantes às flores do galheteiro.
Por fim, a pega da tampa que está inserida em quatro folhas relevadas. Não me recordo de ter visto uma assim.  As estrias e o formato fazem-me lembrar os chapéus dos doutoramentos Honoris Causa de algumas universidades:).


Miragaia? Santo António de Vale da Piedade? Não serei eu certamente a ter a resposta. Se é que a há. Foram tantas as fábricas e/ ou manufacturas a laborar naquela região, que muito se terão influenciado mutuamente, por vários motivos, como já foi sendo referido por aqui. A mim, resta-me o grato prazer de poder desfrutar destas belas peças.