quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Trio de porcelana

 O Luís mostrou-nos no seu blog, este lindo bule da Vista Alegre e eu, que anteontem à noite trabalhava no portátil da minha filha, na sala, quando o vi,  bastou-me erguer os olhos para dar de caras com um bule meu,  parecendo-me de imediato haver semelhanças no formato das peças. Fui buscá-lo, ampliei a foto do bule do Luís, e assim com os dois, "lado a lado",confirmei a minha primeira impressão. Apesar da decoração bem distinta, a forma é a mesma! 
  Repare-se na asa, no gomado do corpo, nos filetes a ouro, e até nos três pontinhos dourados que decoram o bico.

Como já conhecia alguns bules da Vista Alegre com este formato, ( tenho um, mais pequeno, marcado a azul), quando vi este trio de peças que formaram em tempos um serviço de chá, associei-as de imediato a esta fábrica, não deixando, no entanto,  de estranhar a decoração.
No açucareiro, podemos ver melhor,  pormenores desta decoração, formada essencialmente por pequenas folhas douradas e enrolamentos alaranjados.
Não acho que este tipo de desenho, conjugado com esta cor, seja da caraterístico da VA e considerando a opinião do Luís sobre o conservadorismo desta fábrica no que se refere à decoração das suas peças, estas, terão origem  numa outra qualquer, que não a da Vista Alegre..

 
No entanto, é inegável que o formato deste trio é igual às muitas peças  marcadas da Vista Alegre, portanto o que pensar? 

Conjuntamente com estas três peças e porque faziam parte do mesmo lote, comprei um pires e uma chávena de chá. Esta última peça, não faz obviamente parte do serviço, e parece-me de fabrico inglês e com o formato London Shape.   

Poderão encontrar belos exemplares e muita informação deste modelo, aqui, no blog da Maria Andrade

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Covilhete

Mostro hoje uma peça em faiança, decorada a azul, e que, apesar de marcada, não consigo identificar a sua origem.
Trata-se de uma covilhete comprada on-line, e que, apresenta uma marca, que me parecia ser da Fábrica de  Darque em Viana do Castelo. Esta fábrica utilizou uma grande variedade de marcas, em que a letra V está sempre presente, variando na forma e na cor em que é pintada, na espessura do traço, e,  sendo muitas vezes acompanhada de símbolos. Esta marca intriga-me e das pesquisas que fiz  (cheguei a contar setenta  e tal no Dicionário Marcas de Faiança e Porcelana de Portugal), não apareceu nenhuma igual ou semelhante a esta.  Acho curiosa a disposição  das letras, que para além do que eu julgo ser um V, terá ainda a letra U. Mas, ocorreu-me agora de repente ,que o  V, afinal,  poderá ser um Y!!
 

Quanto à decoração, apesar de   bonita,  acho-a  trapalhona. Parece que  o motivo escolhido é muito  grande para a dimensão da peça, ou então, que foram usados pincéis demasiado grossos.Para além disso,  não  identifico estes motivos com os usados pela  Fábrica de Viana. 

A árvore que se vê à  direita e da qual  mostro um pormenor em baixo, aumenta a minha desconfiança quanto à possível origem Vianense desta  peça, fazendo-me antes lembrar, as árvores  que se podem ver em algumas decorações do cantão popular, como por exemplo, nestas travessas que o Luís nos mostrou há já uns tempos.

Nesta última fotografia, mais um pormenor, desta vez do centro da peça e que parece representar uma paisagem com um rio ou lago. Acho pouco comum a representação da árvore da esquerda e se alguém conseguir identificar o "borrão" entre as duas árvores, por favor diga :) A mim já me pareceu uma borboleta, mas, poderei estar influenciada pelos  muitos desenhos e pinturas infantis que vejo; por outro lado, o tema "borboleta", não seria muito frequente na decoração deste tipo de loiça.

sábado, 27 de agosto de 2011

Sementeira de mamão

Em meados de Junho, resolvi fazer uma sementeira de mamoeiros, ou papaeiras ( o fruto é o mesmo, e na minha terra, o mais arredondado é designado por mamão), aproveitando as sementes de uma saborosa papaia.
As sementes deste fruto apresentam-se envolvidas numa membrana gelatinosa, pelo que, primeiro, as pus  a secar durante vários dias.

Cá estão elas, já secas e prontas a irem para a terra.


Como sou uma cidadã com preocupações ambientais, tento não me ficar pelas boas intenções, e, sempre que posso ponho em prática o que vou ensinando às minhas crianças. De facto, cá em casa vamos no bom caminho: separamos o lixo, o óleo alimentar, apesar de  pouco utilizado vai para um bidão próprio, quando há tempo e paciência aumento a minha caixa de compostagem com o resto dos vegetais crus etc.  Assim, aproveitei uma útil  e até bonita embalagem de morangos, fiz-lhe pequenos furos para escoar a água da rega, enchi- a de terra ,tracei  pequenos sulcos e lá depositei as sementes da saborosa papaia.

A germinação foi lenta, apesar de as ter posto num local com bastante sol. Já quase se tinham passado  duas semanas, e apesar de todos os meus cuidados, os rebentos não brotavam; pensava eu, que por se tratar de pequenas sementes, a germinação seria muito rápida. Coisas de jardineira amadora !

A foto que se segue foi tirada no início deste mês, teriam portanto, as novas plantas, cerca de mês e meio. Começa-se já a perceber o característico recortado das folhas do mamoeiro, que, em Angola, eram utilizadas  para amaciar a carne, especialmente   a de bifes.


Tirada no mesmo dia e de outro ângulo, para melhor se poderem ver os caules  cilíndricos, que estão ainda muito finos mas que poderiam atingir , na sua fase adulta ,(caso estivéssemos num clima tropical) entre 10 a 30 cm de diâmetro e oito metros de altura.

Como tinha muitas sementes, sobraram-me algumas que fui espalhando por vários vasos e canteiros.
Num vaso, onde tenho uma pitangueira, uma das sementes germinou muito mais rapidamente do que todas as outras, resultando num outro pé de mamão, muito maior do que os semeados na caixa de morangos. A diferença do ritmo de crescimento  poderá dever-se à terra utilizada, ou à exposição solar.

Em meados de Setembro, vou replantar todos os rebentos para um vaso maior, e abrigá-los durante as noites e dias frios, na esperança de que resistam às temperaturas baixas aqui do norte ,e que, pelo menos ,cheguem a florescer.


Na impossibilidade de ilustrar com uma  fotografia minha, uma carica papaya adulta, ou seja um mamoeiro, optei por utilizar uma imagem do guia medicinal, "Plantas Medicinais de  Kohler", publicado em 1887, da autoria (?) de Franz Eugen Kohler e com ilustrações de Walther Müller e C.F. Schmidt Acho que, nenhuma Macro por mim tirada, conseguiria tais detalhes.Mais gravuras  desta obra publicada  em três volumes, podem ser vistas aqui

terça-feira, 26 de julho de 2011

Par de chávenas


Nem de propósito! No  sábado comprei duas chávenas de café na feira de velharias de Braga e, coincidente-mente, a Maria Andrade publicou num dos dias imediatos, este post sobre chávenas, que me fez olhar para a minha recente aquisição de outra forma; de outra forma, pois comprei-as, com a informação de que poderiam ser da Vista Alegre, mas sem certezas. Enquanto mas embrulhavam, ia pensando que não conhecia nada da VA  assim decorado,e que certeza, só tinha quanto à sua antiguidade.

Aqui está o  par, numa das suas faces. Na  decoração em jeito de chinoiserie, prevalece a representação de flores de cerejeira.Os rebordos são contornados com dois filetes em tom rosa.

Do outro lado, uma ave, talvez um pavão. Em plano inferior, uma grande mancha azul escuro, de onde sai o ramo onde se empoleira a ave. Toda a composição me parece ser uma pintura manual.


Um grande plano de uma das flores e logo a seguir um grande plano do pavão.

Depois de ver com muita atenção o poster que a Maria Andrade mostra, acho que o meu par de chávenas, tem fortes possibilidades de ser de fabrico inglês. Há alguns pormenores coincidentes; o formato da asa é o mais evidente, mas o tema "flores de cerejeira", está também muito presente nos exemplares do poster. Por ouro lado, tal como disse no início, não associo este tipo de trabalho à Vista Alegre. Continuarei a investigar.

sábado, 23 de julho de 2011

Coisas diferentes que vou vendo por aí - I

São raros os dias em que  deixo a máquina fotográfica em casa, mas, também devo dizer ,que no meu dia a dia, raramente a utilizo. O quotidiano absorve-me de tal maneira, que não me sobra disponibilidade mental, para parar, olhar e reparar no que me rodeia.  Quando me apanho em férias e saio do meu cantinho Minhoto, desforro-me. De forma natural,  fico mais arguta, mais observadora, e gosto de fotografar pormenores que  atraiam a minha atenção.
Seguem-se três fotografias, tiradas em diferentes ocasiões, e, que por várias razões prenderam a minha atenção.

É, ou não é? Não. Não é um colchão verdadeiro, mas eu e a minha filha, que passamos a correr por esta escultura para nos refugiarmos duma chuvada imprevista, ficámos atónitas com a visão! Um colchão depositado em plena via pública de uma grande cidade!? Passados alguns minutos, já abrigadas num café , e estrategicamente sentadas numa mesa em frente ao "nosso colchão", começamos a duvidar da sua autenticidade. Quem passava, não reagia perante  sua visão e, foi aí, que percebemos tratar-se de uma escultura. Mesmo assim, quando saímos, ainda lhe fomos tocar com o pé :) Claro, que nos rendemos perante o realismo da obra, sem chegarmos depois a consenso, quanto à sua beleza, função, intenção do autor etc, etc


Este cartaz anti -tourada de grandes dimensões chamou a minha atenção pela utilização de uma imagem que considero forte. Não consigo ter uma opinião definida sobre as touradas, talvez, porque este espectáculo ,nunca fez parte da minha realidade, mas sou tendencialmente contra e estou absolutamente convicta da sua violência. O autor do cartaz conseguiu, com grande mestria, passar a mensagem de tortura e sofrimento infligido aos animais durante as touradas.

Numa caminhada por terras de  Terras de Basto, mais precisamente em Mondim de Basto e ao longo da  Levada de Piscaredo, numa das várias aldeias por onde passei,  descobri esta  selha, feita a partir de um barril, que, deixando de ter serventia, for reconvertida em floreira.  Quando a  Maria Andrade, nos mostrou as pedras do seu jardim, por associação  de ideias, lembrei-me do quanto gosto de selhas, e que  na casa dos meus pais, em Angola, havia algumas com a esta função. Os aros de ferro eram pintados em cores garridas e já naquele tempo faziam as minhas delícias. Ainda não tenho nenhuma, mas lá chegarei :)

Sobre a fotografia, gosto da harmonia inesperada formada pelo conjunto das alfaces e do cebolinho em vez das flores, da rede azul a poder ser um adorno, da grelha a espreitar, da parede inacabada e... dos aros pintados a vermelho.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Azulejos publicitários

Este comprido painel, na rua de Santa Catarina despertou-me, para a  função dos azulejos, na publicidade. Associáva-os, quase exclusivamente à decoração das fachadas,  apesar de no Porto existirem variadíssimos painéis publicitários em azulejo, creio que, todos do início do século XX. Mas, como a maioria das vezes passamos, olhamos e não vemos, nunca os valorizei. As magníficas fachadas da Capela das Almas,e outros exemplos sumptuosos da azulejaria Portuense  justificam a distracção. 

Nesta primeira fotografia tentei apanhar a parte central do painel,que fica ao nível do primeiro andar, onde se lê o nome do proprietário e, talvez fundador,  do estabelecimento comercial. 
  
O canto esquerdo, anuncia o tipo de comércio Casa de Novidades, que, pela decoração dos azulejos, faz-me crer ter-se tratado de uma casa de brinquedos.

No canto direito do painel aparece uma designação, que corresponde ao  nome comercial deste estabelecimento,  Grande Bazar do Porto. Para a época seria sem dúvida, um nome comercialmente apelativo. Pelo que vou observando  o termo "bazar", caiu em desuso, agora tem outro significado :) Cá em casa, quando havia adolescentes, a utilização dos termos,  bazar, bué e outros , foram  motivo de algumas zangas...fortes! :)
Gosto da candura destes azulejos! Na  cercadura que enfeita  o nome do proprietário, as caras das meninas, com grandes laçarotes na cabeça, a comporem os ramo de flores, com se de mais uma se tratasse, revelam um conceito de infância,mais ingénuo, onde não havia a pretensão de transformar as crianças em pequenos adultos, como hoje, algumas vezes acontece.
Estes azulejos são ainda um bom registo sobre a maneira como se vestiam as crianças e sobre o tipo de brinquedos da época. Percebe-se bem que os brinquedos representados são de madeira.Acho piada ao pormenor da matrícula do carro! GBP! Nem mais nem menos do que as iniciais da casa.
Pensou em tudo o autor do painel, que, como se pode observar,  no canto inferior direito (ampliando a fotografia) pertencia à Fábrica do Carvalhinho. Tenho pena de não conseguir perceber o ano de fabrico.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Montras - I

Não gosto de ver montras. Sair, para ver montras, não obrigada! Bem bastou, quando era criança ter que acompanhar a minha mãe e  um cortejo de tias, que parecia que aumentava a cada saída :) Tenho ideia, de este hábito ser frequente entre as senhoras, na década de sessenta.
Andar devagar, irritantemente devagar, parar em todas as montras, esmiuçar cada peça exposta, é-me demasiado penoso. 

Mas, não sei como, no verão passado descobri que as montras podem ser um óptimo tema para fotografar. (daí, aparentemente este post ser sobre uma coisa de que eu não gosto). Umas vezes, por mérito de quem as concebe e arranja, outras, porque  são precisamente o oposto da montra tecnicamente bem feita e outras ainda, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, ficam  esquecidas entre paredes de estreitas vielas, adquirindo assim   uma graça inesperada, que só a pátina do tempo consegue dar e que é o caso da primeira fotografia que mostro.

 Na íngreme Rua da Olaria em Lamego, deparei com esta montra, que eu creio ser o que resta de uma casa de aluguer de fatos religiosos. Não fossem as marcas do tempo, e a fotografia não teria resultado.


Em pleno coração londrino, um grande armazém com quatro ou cinco montras iguais a estas expõem os  diferentes artigos, com um toque de requinte e bom gosto, que me deixaram de nariz colado ao vidro várias vezes.
Esta primeira exibe uma miscelânea de artigos, todos eles com um ar muito requintado. Acho interessante a ideia da mistura de coisas tão diferentes como carteiras de senhora, perfumes, chávenas etc.
Bebidas  expostas com sobriedade  e  sempre acompanhadas de objectos a que regra geral associamos ambientes requintados: pérolas, cristais, pratas etc.

As montras de lingerie, são sempre demasiado óbvias: ou nos esperam pernas ao alto para melhor podermos apreciar os acabamentos das meias, ou  torsos plásticos, sem piada nenhuma, sem nada que prenda a atenção dos mais distraídos.
A montra de baixo vale pela originalidade da concepção. Gosto da ideia alternativa desta montra, que, comigo resultou, pois conseguiu o que dificilmente as outras conseguem, ou seja, fazer-me parar e olhar com interesse.

Esta última, fala por si. Não é minha intenção analisar aqui estas fotografias sob uma perspectiva sociológica, mas esta, talvez merecesse. Quando fotografei esta banca de bolos, no Camden Markets , não reparei na rapariga que aparece de costas e até cheguei a lamentar, a sua presença, pois não permitiu um enquadramento perfeito. Hoje, acho,que dá um outro sentido à fotografia.