segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Prato modelo Espiga -Fábrica Sacavém

Já tinha ouvido falar deste formato "Espiga" nos  blogues que vou seguindo e conheço variadíssimas decorações que vão desde barcos à vela, cenas de caça, cenas  campestres, raminhos de flores etc. O que nunca tinha visto, e me deixou deveras surpreendida foi a representação de uma caçada ao hipopótamo, ou seja, uma cena tropical cheia de pormenores, como por exemplo, a piroga que transporta o caçador.
Provavelmente, esta, seria uma decoração a pensar nos portugueses residentes, nas então colónias, ou províncias  ultramarinas :) com o intuito de aumentar o leque de clientes. Será?

 Comprei este prato por uma questão afetiva e não resisti fotografá-lo  junto de uma velhinha e já puída toalha de piquenique.Ficam bem as duas peças com o seu toque rústico.
A data de fabrico deverá situar-se no  primeiro quartel do século XX. Espreitei o blogue da Maria Andrade, na esperança de melhor poder datar este prato, mas não vi nenhuma marca exatamente igual a esta. Espreitei, ou melhor vasculhei também o mfls, mas não consegui descobrir o post dedicado a estas marcas.Efeitos do estado meio febril da primeira constipação da época :)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Azulejos da casa do Conde de Pinhel

Em Vila Nova de Foz Côa, esta casa que atraiu a minha atenção pelo conjunto de azulejos que encimam todas as janelas e portas é   conhecida como  "A casa do conde de Pinhel".
Fachada principal
Vá-se lá saber porquê, sempre achei que tal designação não tinha fundamento, que ali, nunca nenhum conde de Pinhel teria vivido. Para fazer  este post resolvi,  então,  tirar estas dúvidas a limpo e efetuar uma pequena pesquisa sobre esta casa. Pouco ou nada encontrei, a não ser uma alusão feita numa interessante comunicação sobre a "Memória Antoniana em Vila Nova de Foz Côa", no capítulo que toca ao património construído nesta vila. Para mim foi importante esta referência pois deu sentido à informação inicial e da qual eu duvidara, por  nunca ter encontrado dados que  relacionassem  esta casa ao Conde de Pinhel (todos me conduziam aos seus palacetes do Porto, Lisboa e claro Pinhel - a Casa Grande_) cheguei até, a pôr a hipótese, de tal designação se dever a qualquer historieta popular sem qualquer tipo de fundamento.A brevíssima referência que descobri levam-me agora  a crer que esta casa tenha realmente pertencido ao 1º conde Pinhel, título criado pelo  rei D. Carlos a favor de Manuel António de Almeida.
Fachada lateral

O seu interesse estético reside no conjunto  formado pelas janelas e portas com  molduras de granito encimados por bonitos conjuntos de azulejos, com dois querubins que ladeiam a composição e que, olhando para baixo parece que  zelam as entradas da casa. Não fossem  estes pormenores arquitetónicos e esta, seria uma casa sem atrativos especiais.

Questiono-me sobre a  época destes azulejos e qual a sua proveniência. Será que fizeram parte da conceção original da casa, ou terão sido colocados posteriormente?

A casa  corresponde  à época em que viveu o 1º conde de Pinhel (1860-1929) e   muito provavelmente foi recebendo obras ao longo do tempo que podem ter alterado a construção inicial.
Pormenor dos azulejos
Estas são questões que me foram surgindo, mas que, de  forma  alguma,  foram motivadoras deste post. Esse mérito é exclusivamente  destas portas e janelas e dos seus azulejos rigorosamente iguais, formando assim um conjunto extremamente harmonioso. Não posso terminar sem referir que, quando se vê tanto património arquitetónico mal tratado e abandonado,  é um bálsamo, encontrar casas tão bem preservadas e cuidadas como esta. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Caminhos

Este post estava para ser ser feito antes da minha ida para férias mas, entre os almoços, lanches e jantarinhos com a família que vive mais ou menos distante, não tive tempo para o  fazer.
Serra de Montemuro. Ao longe vislumbra-se o rio Douro
Faço-o agora pois ainda é oportuno e  pretendo, então, com estas fotografias, simbolizar os diferentes caminhos que percorremos durante o louco mês de agosto, tendendo sempre a imaginar a teia complexa que obteríamos, se fosse possível registar graficamente o rasto do destino de cada um dos milhões de pessoas que se deslocam durante este mês.
Londres - Ponte Millenium
O nosso planeta ver-se-ia certamente, envolvido numa imensa renda feita de fios de todos os tamanhos, do  tamanho das distâncias das viagens de cada um e seria qualquer coisa como a imagem que mostro em baixo e representa as linhas,  pontos e círculos  imaginários da Terra.
Imagem retirada da net.
Sei que não irei a tempo de desejar boas férias a todos, mas desejo-vos que o regresso ao trabalho seja tão calmo e tranquilo, quanto as águas do mar que mostro na foto de baixo.
Viana do Castelo - Entrada na barra

terça-feira, 24 de julho de 2012

Leiteira "silvinhas"


Cá está a pequena leiteira de que falei neste post do Luís e neste da Maria Andrade.É a única peça que tenho com esta decoração, parece-me bastante antiga e, à exceção de uma ininteligível marca incisa, não apresenta mais sinal nenhum.

As marcas que se conseguem ver na base da leiteira

Apesar do motivo, não creio que seja da Vista Alegre, pois é de uma pasta pesada e o tipo de asa, não me parece ser caraterístico desta fábrica. Mas estou no campo da pura suposição. Na foto de baixo, mostro o remate da decoração central que faz lembrar um Y e ainda não vi em mais nenhuma peça.

Em baixo um pormenor das minhas Silvinhas:) Será que o nome atribuído pelos colecionadores a este motivo tem alguma relação com as flores das amoreira-silvestres, as nossas vulgarmente designadas silvas e que são uma autêntica praga, quando aparecem num jardim? Anos a fio, todos os verões combati ferozmente com as silvas do terreno vizinho, que invadiam o meu jardim. Saí sempre arranhada e nunca vitoriosa :) Agora já tenho vizinha, foram-se as silvas, mas "ganhei" outras coisas :(


À falta de silvas para fotografar mostro um botão da minha roseira Santa Teresinha, que em maio se encontra no seu esplendor máximo. Agora, as flores já rareiam e para conseguir esta foto, tive que trepar a um escadote, até ao último degrau:)

A seguir uma rosa completamente aberta e outro botão. É caraterístico desta espécie uma floração abundante por volta  de maio e mais modesta no verão.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Janelas, sombras e penumbras


Creio que foi já no ano passado, que uma caminhada através do Caminho de Jacinto nos levou, até à Quinta de Vila Nova, em Baião, agora designada por Casa de Tormes, vulgo casa de Eça de Queirós e que apesar de ele nunca a ter habitado, a imortalizou no seu romance "A Cidade e as Serras". O conjunto formado pela casa, capela e jardins é bonito, mas não gostei da fachada, achei-a demasiado rude e austera. As duas escadarias paralelas uma à outra também não primam pela elegância.
A fotografia que se segue é de uma das janelas da capela, que achei encantadora, mesmo sabendo que o seu recheio, pouco ou nenhuma relação terá com a casa que o escritor conheceu.
Em baixo, em estilo neomanuelino, uma janela do Hotel do Bussaco. Há alguns anos, publiquei-a no site de fotografias Olhares e dei-lhe o título de " Perscrutando", pois foi isso precisamente que eu fiz, quando vi  a maravilhosa porta rendilhada que está em segundo plano. Creio que me cheguei a pôr em bisco de pés, para a ver melhor.

A última, e de todas que mostro, é a que mais me cativa. É o resultado das brincadeiras de um grupo de crianças, que, não cumprindo as regras da sala, não arrumou os jogos quando chegou a hora do recreio deixando os bonecos assim colocados no parapeito da janela, por trás de uma tela. Estava um dia de sol aberto e as sombras projetadas em contraluz provocaram este efeito muito giro. Sentei-me a apreciar o resultado engraçado, e dei comigo a conseguir ver o Major Alvega, Corto Maltese e até mesmo o Tintim, numa qualquer aventura africana :) Quando as crianças entraram novamente na sala, chamei a sua  atenção para o efeito provocado. Acharam muito piada e claro que durante uma temporada, as experiências sucederam-se com os mais variados materiais. Eu aproveitei o seu entusiasmo, para explorar com eles, algumas noções básicas e adequadas à sua idade, sobre  os efeitos de luz e sombra. Acredito que todas as matérias são passíveis de serem explicadas às crianças, desde que as adequemos ao desenvolvimento cognitivo de cada uma (Bruner).

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Painéis de azulejos - Vilar Formoso


O meu medo de andar de avião aliado ao fascínio que sempre senti pelas viagens de comboio levaram-me a mim e à minha família, a optar por este último meio de transporte quando chegam as férias. E por causa deste meu medo irracional tenho feito belíssimas viagens de comboio, que, não troco por nenhum voo rápido e cómodo. Mas este post não é para falar das minhas aventuras ferroviárias, mas sim dos painéis de azulejos que revestem a estação de comboios de Vilar Formoso, que eu já atravessei algumas vezes no nosso mítico e tristemente degradado comboio sud expresso, que liga Lisboa a Paris e que este post do Fábio Carvalho me fez recordar.

São cerca de cinquenta painéis belíssimos (executados na Viúva Lamego e alguns  da autoria do pintor João Alves de Sá), representando quadros variados, que vão desde alguns dos nossos monumentos nacionais, até às paisagens e trajes típicos.Na época seriam praticamente, um roteiro turístico para quem chega :)

O primeiro painel mostra-nos um plano da rede ferroviária da Beira Alta, e das estradas de ligação às centrais de camionetes o que, para a época, deverá terá sido muito útil.
 O painel que se segue dispensa apresentações. Representa a Torre de Belém,  um dos nossos  mais emblemáticos monumentos, e ex libris de Lisboa.
Em baixo, a igreja românica de Cedofeita, de seu nome próprio, Igreja de S. Martinho de Cedofeita. Os historiadores dividem-se quanto à data da construção da igreja original; uns  apontam  para o ano de 446 e outros  defendem  o ano de 559. As duas versões, no entanto, atribuem-lhe origem Sueva, estando a última hipótese ligada à lenda, da cura do filho do rei Suevo Teodomiro. As figuras de S. Martinho de Tours e do bispo de Braga, S. Martinho de Dume estão ligadas a esta lenda.
Já fora do edifício, um singelo painel, com uma cercadura de folhas de loureiro e carvalho, ostenta o escudo nacional e  anuncia  a quem chega, o nome de Portugal,  marcando a transição entre os dois países.
As poucas fotografias que aqui mostro, não fazem de forma alguma justiça à beleza do conjunto destes painéis de azulejos, por isso, deixo-vos aqui um  filme  muito bonito, sobre a estação de Vilar Formoso, o qual, agradeço desde já ao seu autor.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Um "Willow" da Real Fábrica de Sacavém


Intriga-me, este "Willow" da Real Fábrica de Sacavém comprado há poucos meses numa feira aqui no Norte e que, neste motivo, é dos mais bonitos que tenho visto, talvez, porque a sua decoração preenche bem todo o espaço do prato.

O  que me intriga?  Primeiro, a marca, que é muito semelhante a uma que consta no  Dicionário Marcas de Faiança e Porcelanas Portuguesas  correspondendo ao ano de 1885  e  que apresenta as letras B H S. &; Cª.  No meu prato, para além do  H ser substituído por um R, há uma colocação diferente dos pontos. Não sei se este último  pormenor é ou não relevante.
Mas voltando às iniciais e sabendo-se que elas, na primeira marca que refiro significam Barão de Howorth de Sacavém & Companhia, o meu prato pertencerá a outra época, e/ou outra administração, e estranho que apesar de ter feito muita pesquisa, nunca encontrei nenhuma marca igual a esta. Poderemos estar perante um qualquer erro, por exemplo um erro de impressão. Acrescento ainda que a palavra que encima esta marca não é CHORÃO, mas qualquer coisa como CHON… a última letra é impercetível. Outro erro? Já me parecem erros a mais.
A segunda questão  que me intriga é o conjunto de letras que se pode ver na foto de baixo e que desde o  início eu assumi pertencerem à palavra Maria. Há ainda um grupo de uma ou duas letras ligeiramente acima que eu não consigo decifrar. Escusado será dizer que fiquei a cogitar sobre quem seria esta Maria. 
Enquanto me propunha desvendar o enigma de letra R,  se é que há algum :) descobri uma marca de Sacavém que mostro a seguir, e que  refere uma D. Maria Francisca Meuron de Araújo, como sendo pintora amadora. Fiquei em pulgas! Começava a tomar sentido aquele nome! Mas nada é linear e simples. Como se pode ver na fotografia de baixo, a inicial Q que se segue ao Maria, não corresponde, como seria de esperar ao nome Francisca. Já a letra G poderá corresponder ao apelido Gomez, apelido que Maria Francisca  tomou por casamento, conforme veremos mais adiante.
Uma pesquisa no Google, sobre esta senhora levou-me até à sua árvore genealógica, onde se fica a saber que casou com o Conselheiro Augusto Gomez de Araújo (leremos qualquer coisa sobre ele já a seguir) mas, o mais relevante para este post é sem dúvida a referência que lhe é feita no livro de José Queirós, Cerâmica Portugesa, e que passo a transcrever.
'um celebre serviço de mesa, feito em Sacavém para a casa da
Quinta-Grande — Barreiro, de que é proprietário o nosso amigo o Sr.
Conselheiro Augusto Gomez de Araújo, encontram-se numerosos nomes a
assignarem as diferentes decorações nas peças de que se compõe o serviço,
por tantos titulos interessante. São elles : 
 D. Maria Francisca Meuron d'Araujo, D. Maria Benedicta de Sousa de Meuron d'Araujo, D. Anna Jechtel, D. Catharina Costa, Manuel Braga S. Romão, D. Fernando de Serpa, Raphael Hogan, Henrique Possolo, Eduardo Braga, Augusto Carlos Mattos da Cunha e Augusto Gomez de Araújo (p. 88).
Chego ao fim desta pequena pesquisa e outras questões se foram levantando, pelo que não cheguei a conclusão nenhuma, apesar de em alguns momentos, ter tido a convicção de que este prato poderia ter pertencido ao referido serviço de mesa. Muitas coisas ficaram por esclarecer. Por exemplo, o "R" do meu prato referir-se-á a Alice Rawstron, viúva do Barão de Sacavém, que após a morte do marido estabeleceu uma sociedade comanditária com o antigo guarda -livros da fábrica? Se se atribui a Maria Francisca a marca que mostro em cima, porquê um Q e não um F? Perguntas que ficarão por responder, ou talvez não. Temos assistido aqui, nesta pequena comunidade de amantes de velharias, ao desvendar de alguns "mistérios", bem mais intrincados do que este :)