domingo, 24 de março de 2013

Azulejos - Braga

Os motivos utilizados na decoração de azulejos são tão variados nos  temas, cores, formas e texturas que nunca param de nos surpreender. Perto do mercado municipal de Braga há uns, que forram as paredes de um edifício que alberga um restaurante tipo tasca/churrasqueira. Está tão degradado, o edifício, que nem sequer vale a pena fotografá-lo.


Mesmo assim, e porque queria dar uma ideia do resultado do conjunto destes azulejos, fotografei um bocado de parede conseguindo, só muito a custo, um enquadramento sem chaminés de alumínio e outros feios enxertos.Segue-se o pormenor do conjunto que mais gosto e que,  integrado na panorâmica geral sugere um trevo de quatro folhas. A conjugação do azul e verde dão-lhe um ar pouco usual e foi isso que atraiu a minha atenção.


Na fotografia que se segue pode-se observar o outro pormenor, mais complexo graficamente, mas não tão bonito como o anterior.
Por fim, a barra que remata todo o trabalho de colocação e que, ampliando-se a primeira fotografia se consegue ver muito bem o efeito conseguido.
Não resisto em mostrar esta foto do mesmo pormenor que tanto gosto e ao qual, nem as marcas bem visíveis  da degradação, conseguem retirar o encanto.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Prato com casario

Mostro hoje um prato que comprei num site de vendas on-line e logo pela fotografia que o publicitava, me pareceu ser diferente do que normalmente estamos habituados a ver  neste tipo de motivo. Pensei até,  que poderia ser uma imitação recente (já as tenho visto!), mas como estava baratinho resolvi arriscar.

Chegado o prato, confirmei todas as minhas suposições exceto o facto de   não se tratar de uma cópia recente. Agora, porque o acho diferente?  Primeiro, porque a pintura é feita sob vidrado e este tom de azul não me é familiar nas faianças que conheço.
Segundo, apresenta uma decoração da aba que também não me parece muito frequente, especialmente esta que destaco acima. Também não reconheço a conjugação destes dois pormenores decorativos . Fazem-me pensar que se poderá tratar de faiança de outras origens.
Outro pormenor decorativo da aba. A conjugação dos dois motivos não me parece usual
Um alerta! Tirei dúzias de fotografias e não consegui reproduzir satisfatoriamente  o azul que me faz ensimesmar! Lembram-se da cor da tinta de encher as canetas, as de tinta permanente? E lembram-se quando acabava a tinta juntar-se alguma água para remediar a situação? :) Pois bem, o meu prato é nesse  azul,  que eu não tive a habilidade de captar, e como calculo que já mal se devem lembrar de semelhante coisa, deixo-vos com um filme muito curioso.

Um pormenor do centro do prato


 




sexta-feira, 1 de março de 2013

Janelas de Roma


Estavam assim, enfileiradas, cerradas, como que a proteger a  privacidade dos seus moradores da indiscrição das máquinas fotográficas dos turistas que, em agosto enxameiam qualquer avenida ou viela de Roma. Eu, quietinha,  lá em baixo, completamente "espapaçada" pelo calor e sentada na borda de uma refrescante fonte,  agradecia a brincadeira da petizada que,  indiferente ao que as rodeava, salpicavam-se alegre e generosamente, a eles, e a quem por ali andava.
 De nariz no ar e cogitando em como gosto da cor ocre, logo me atraiu a atenção, a "minha" janela, aquela, completamente escancarada, deixada assim, talvez para proporcionar  muitas horas de sol aos catos que a tentam embelezar. Ei-la, em baixo. Vale pela harmonia das duas cores dominantes, o verde das janelas e o ocre das paredes.
Não muito longe da viela onde tirei a foto de cima, mas desta vez numa cosmopolita avenida e mais uma vez fascinada com o ocre comum a tantas e tantas construções, descobri a segunda janela que mostro hoje. Esta, pela sua conservação destaca-se  no meio da degradação que se vai tomado conta do edifício.
Isolando-se a janela destaca-se  toda a  beleza  da moldura, que não sei se é de granito (não me parece). Os remates curvos dos quatro lados, são os pormenores que lhe conferem uma elegância contida e que, quem sabe, poderá servir de inspiração a algum ourives que assim crie uma jóia única :)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Divagações


Embora reconheça a importância de alguns dos Dias Mundiais que hoje proliferam pelo nosso calendário, não sou muito dada a atribuir-lhes demasiada atenção. Alguns, infelizmente, como é o caso do Dia Mundial da Criança, está completamente desvirtuado e é mais um dia de prendinhas completamente inúteis, a crianças que felizmente já têm tudo, ou quase tudo. Quanto ao Dia dos Namorados  :) sou de uma geração que na sua juventude nunca ouviu falar de tal e, pasme-se, se hoje me lembro, devo-o aos meus pequenos alunos que mo anunciam logo pela manhã, em grande agitação :)
O tema preferido das crianças neste dia. Corações, corações, corações
Mesmo assim cá estou eu a servir-me do tema "amor" para fazer o post  de hoje :) É que, dividida entre os  tarecos a mostrar, lembrei-me de umas fotografias que tirei há já alguns anos  e que serviram de suporte a esta exposição realizada há já alguns anos no Mosteiro de Tibães.Fiz estas fotografias à socapa de uma tia minha que se encantou com as divagações sobre o amor, e como vivemos muito longe uma da outra, enviei -lhas no dia do seu aniversário. Sei que ficou feliz. 
Estes excertos fazem parte da  obra enciclopédica Recreação filosófica ou Dialogo sobre a filosofia natural para instrucção de pessoas curiosas que não frequentarão as aula, do padre Teodoro de Almeida, iluminista português e estudioso em várias áreas do saber.


Não me atrevo a acrescentar nem mais uma vírgula a estas reflexões de alguém tão sábio e elevado cultural e intelectualmente. Mas  já que trouxe este assunto à baila, lembro Camões e o seu genial soneto das antíteses; Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente etc, etc, etc. É conhecido de todos nós, o soneto e o tema :)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Bancos de jardim - Azulejos


Com frequência encontramos em Portugal, bancos de jardim e de parques públicos ou privados forrados a azulejos dos mais variados tipos e épocas. É o que acontece na Quinta da Fata, que fiquei a conhecer em setembro último, aquando de uma caminhada pela região demarcada do Dão, mais propriamente em Nelas. Foi nesta quinta de frondosos jardins e um vinhedo a perder de vista que fizemos a primeira pausa do dia, momento que eu aproveitei para explorar por minha conta, o espaço exterior da casa.

Atraíram a minha atenção os vários bancos forrados a azulejos, tendo eu ficado com a impressão, que terão pertencido inicialmente a antigos espaços da casa e reutilizados posteriormente na decoração destes bancos. Em relação a este primeiro, o meu “feeling” encontrou algum fundamento num artigo que li, onde o autor chama a atenção para a importância da manutenção in situ do património azulejar e muito particularmente, destes  azulejos de figura avulsa, muito utilizados, segundo o mesmo autor, na decoração de jardins.

Pelo encanto que encontro na ingenuidade de cada um destes azulejos, este post focará apenas este banco, pois, as fotografias a mostrar, já ultrapassam o número que eu considero ideal para manter o interesse dos visitantes e o equilíbrio estético do post, Os outros ficarão para uma próxima oportunidade.

Estes azulejos, os da Quinta da Fata, sem serem dos primórdios dos “azulejos de figura avulsa” em Portugal, parecem-me bastante antigos, quer pelos motivos decorativos, quer pelo tipo de pintura que apresentam.
Alguns estudiosos referem a policromia, a decoração dos cantos em “estrelinhas” e o uso da flor e do barco na decoração, como sendo caraterísticas da produção lisboeta dos meados do século XVII. Não estou de forma alguma atentar atribuir uma idade a estes azulejos, até porque, tenho dúvidas quanto ao que pretendem representar os motivos ornamentais destes cantos.
Serão “flor-de-lis”? Ou serão flores de quatro pétalas também designadas por “aranhiços” e que por simplificação do traço deram origem às já referidas estrelinhas?
Talvez por deformação profissional, estes motivos que por vezes remetem o nosso imaginário para um mundo de fantasia infantil  exercem sobre mim um certo fascínio. Tanto o  elefante que se vê na fotografia de cima, com corpo de porco e a tromba pintada lateralmente às duas presas, como o saltitante cavalinho são exemplos  bem significativos do cunho ingénuo destes trabalhos.

Guardei propositadamente estas duas fotografias  para o fim, pois, os motivos destes azulejos em tudo me fizeram lembrar  os casarios com as suas esvoaçantes bandeiras de "toque" oriental  no alto dos campanários,  tão  utilizados na decoração de pratos, travessas e terrinas e que têm sido alvo de vários 
posts em  blogs amigos  e que poderão destronar a hipótese  da origem lisboeta destes azulejos.