sábado, 7 de abril de 2012

Boa Páscoa

Com uma mão cheia de amêndoas desejo a todos os meus  queridos comentadores, seguidores e casuais leitores, uma boa Páscoa.

O pires onde pus as amêndoas, é da Vista Alegre e segundo o Dicionário de Marcas de Faiança e Porcelana Portuguesas, é uma das três usada entre 1924/47. É o que resta de algumas peças de um serviço de chá que havia em casa da minha avó materna.

Parece-me ser pintado à mão e acho as flores uma pequena delícia.
Nestas duas últimas, pormenores.
  Embora não seja muito dada a bordados, não posso deixar de  chamar a atenção para  o pequeno napperon, bordado da ilha da Madeira, e que me faz pasmar perante a arte destas bordadeiras.

Cá está o pires que este ano recebeu as amêndoas e que eu sei, que a  Maria Andrade  vai gostar de ver, assim vazio.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Azulejos de Guimarães

Este post do Luís acelerou  a publicação do post de hoje,  pois a combinação geométrica dos azulejos da torre sineira de Fronteira fez-me lembrar, os que irei mostrar a seguir, e que revestem as paredes de duas casas, que ficam  em ruas muito próximas uma da outra, conseguindo formar um recanto muito bonito.

A colocação dos azulejos desta primeira casa, é mais complexa do que a da segunda. Parece-me, que terão sido necessários muitos cálculos, para que esta bela  composição repetitiva, "batesse certo". Gosto do remate de linhas oblíquas.

Pormenor da fachada. Cada azulejo, isoladamente, é muito simples; uma diagonal traçada entre os dois vértices do quadrado e um dos cantos  pintado. E a partir destes elementos tão simples, com arte e engenho conseguiu-se uma composição muito bonita.
A composição geométrica da segunda casa, parece-me mais simples, mas, não é  menos bonita.
Tenho pena de não ter conseguido uma fotografia completa da fachada da casa, mas a rua é tão estreita, que não permitiu. Tentei de várias maneiras, mas não consegui melhor.

Nesta foto, em que procuro mostrar a fachada  mais em pormenor, pode-se ver o o remate utilizado, cujo padrão faz lembrar os frisos geométricos, utilizados na Grécia Antiga.

terça-feira, 27 de março de 2012

Bule com casario

Nos últimos dias do passado verão comprei este bule e  este prato quase de uma assentada :). Comprei-os em casas diferentes, mas na mesma rua, uma rua estreitinha,  muito característica, onde prevalece o comércio tradicional,  que eu cada vez mais aprecio.
A casa, é uma boa casa de autênticas velharias, suficientemente grande e bem abastecida  para eu me deixar ficar por lá esquecida, a mirar e a mexericar. Neste caso acrescentarei o tagarelar, pois, o dono da loja para além da simpatia, era um bom conversador.
O bule, que apresenta a mesma decoração dos dois lados, está, como se pode ver, muito estragado  mas não lhe resisti aos encantos. Não tem tampa e a asa está no estado que se vê. Comprei-o por  tuta e meia e vim de lá toda realizada:)

Na fotografia abaixo mostro um pormenor da decoração do bule, pois sei, que para os entendidos pode ser uma pista, que ajude a chegar à sua origem, sabendo de antemão o quanto é difícil fazê-lo, quando não há marcas.
Seguindo a sugestão da Maria Isabel, mostro o  fundo  do bule, pois este pormenor, poderá será mais um elemento a ajudar os entendidos no estudo ou identificação de peças.

domingo, 18 de março de 2012

Prenúncios de primavera no meu jardim

Flores do jasmim - amarelo, que por não terem aroma, não concorrem com as espécies de flor branca, estas sim, de intenso odor, e por isso mesmo, indispensáveis na indústria da  perfumaria. O jasmim  sendo originário da China propagou-se por toda a  península Ibérica, pela mão dos povos árabes, quando, em tempos remotos, estes, a colonizaram. O poeta sírio Nizar Kabbani, na sua obra  magistral Mensaje de amor a España alude  às marcas deixadas  pela pela civilização árabe questionando num dos versos: "Acaso haveis ouvido falar de uma conquista que deixou atrás de si mil livros de poesia, mil alvercas de água e plantados mil pés de jasmim?"
O meu jasmim- amarelo que foi plantado junto ao estendal para o camuflar, volta e meia, mistura-se com a roupa estendida exigindo "um chega para lá" constante dos seus ramos. Confesso, que tive preguiça de apanhar a toalha que secava, não pensando na altura, que tal pormenor, poderia até, beneficiar a fotografia.

 Em baixo, um botão de sardinheira fotografado numa recente manhã de chuva miudinha.

Rebentos da minha pitangueira que foi tratada com mil cuidados ao longo de todo o inverno, não me tendo eu, ainda, atrevido a mudá-la do vaso para o jardim. No próximo outono farei isso. Até lá, já sei que a espreitarei quase diariamente, esperando que, tal como na última primavera, ela floresça. Quanto a ter pitangas :) já sei que tão cedo isso não acontecerá.

Esta última fotografia não estava prevista para este post , mas uma vez que veio a propósito, aqui fica  uma das três flores que a pitangueira deu o ano passado.

sábado, 10 de março de 2012

Montras - II

Hoje, volto ao tema "Montras",  que só muito recentemente descobri ser interessante para fotografar. A  da foto que se segue, por exemplo, remeteu-me de imediato para a pintura de Henri Rousseau, pintor francês, que  só muito tardiamente foi reconhecido como tal. Foi recusada, por exemplo, a sua participação, nas exposições organizadas pelo Salon de Paris, instituição oficial, e ao que parece, pouco aberta a  novas ideias. Rousseau participou em várias exposições independentes, que foram surgindo em oposição à entidade oficial, como por exemplo o Salon des  Refusés e o  Salon des Indépendants, entre outras.
Mas voltando à minha foto. A associação ao quadro, "O sonho"  foi inevitável. Os elementos comuns à pintura em questão e à montra  justificam-na.  Estão lá, a selva e o exotismo, representados na minha foto pelas folhas de palmeira, o capacete colonial, o colar havaiano, o leão, os frutos etc. E depois, reparem, para além da nudez do  manequim, há a sua posição corporal, muito semelhante à do quadro. Os lustres da fotografia e o sofá da pintura, que a mim me parece de veludo vermelho, poderiam coabitar no mesmo salão. Estarei eu tremendamente sugestionada? Ou será que realmente o "O sonho" inspirou o criador desta montra?
"O sonho" daqui

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os frascos "Le Parfait"

Desde criança que me recordo destes frascos e consoante o hemisfério em que me encontrasse, lá estavam eles, ou cheios de geleia de marmelo, ou com compotas de mamão verde ou maduro. As mulheres emigradas para África, neste caso refiro-me a Angola, com grande mestria recriavam as suas receitas europeias utilizando os produtos locais, o que, quase sempre, resultava muito bem.

Os frascos " Le Parfait" têm a sua origem em França, na cidade  Reims e apareceram por volta de 1930, quando ainda não estava generalizado o uso do frigorífico. Daí o seu sucesso, pois, a célebre borracha cor de laranja, permitia que estes frascos fossem  fechados hermeticamente possibilitando desta forma, a conservação  prolongada dos alimentos.

Em baixo cartazes publicitários onde se reforça  a ideia de um sistema conservação que mantém a frescura e sabor dos alimentos aliados a um sistema de abertura fácil.
Imagem retirada daqui. Agradeço desde já a partilha.
Cartaz publicitário aos "Le Parfait". Foto retirada do eBay.fr
  O  design robusto, prático e ergonómico destes frascos foi também, seguramente, um fator de sucesso  desta marca. Curiosamente a concorrência "colou-se" a estes conceitos e criou o " Le Prartique", o " Le Meilleur" e o  "Le Triumph".

Escusado será dizer que tenho alguns destes frascos, e que quando fiz a pesquisa para este post é que descobri que tenho precisamente dois exemplares concorrentes. Aqui estão eles.



 Não uso estes frascos para conservar alimentos, mas tão só, para guardar legumes ou frutos secos, juntando assim a parte utilitária à decorativa. 
Decorei assim um recanto da minha cozinha, com estes frascos, sendo que alguns, já são uma variante mais recente destes modelos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Revisitando o Cantão popular

Há dias assim! Acordei cedo com o propósito de falar sobre as minhas peças de Cantão popular, que aprendi a gostar com o  Luís. Mas o dia prometia :) Não sei que voltas dei, que ao preparar o pequeno almoço parti a cafeteira de vidro da minha máquina de "café de saco":( Improvisei e tudo se resolveu, mas, entre apanhar caquinhos e limpar o chão, lá se foi o meu tempo extra....Nada que me tirasse a  boa disposição. Mas, quando ao fim do dia chego a casa, e vejo o meu prato que mostra uma versão do palácio imperial, tipo pagode,  partido em quatro ou cinco pedaços fiquei aborrecida, como diria o meu pai, baixando a voz "chatiadíssima".

O prato acidentado em todo o seu esplendor
Lembrei-me das empregadas trapalhonas que o Luís às vezes refere com muito piada e que, tantos danos vão causando aos nossos tesouros. Esta senhora já é o segundo prato que me parte! Mas ,como eu própria, hoje parti a cafeteira fiquei mais condescendente e a pensar que isto não passa de um mal menor. voltando a este prato, acho-o original, nunca tinha visto o palácio imperial assim representado, daí ter sentido mais pena. Resta-me restaurá-lo.

Nesta foto, para além dos meus "Cantões", mostro os azulejos  de que falei aqui. Já estão colocados definitivamente, não sei antes os ter colado a uma placa de acrílico, que, se fosse hoje teria optado por uma mais grossa.